O sincretismo evangélico
O meio
evangélico tem sido bastante fértil em produzir o seu próprio sincretismo.
É, reconhecemos, um sincretismo mascarado de piedade, fervor, unção. A
prática evangélica atual não a autoriza a condenar os outros, longe disto. A
prática evangélica é hoje totalmente relativa e suscetível aos ditames do
marketing religioso. A opressão do "fazer a igreja crescer" levou os
pastores, líderes e crentes, de uma maneira geral, a abrir mão dos conceitos
e princípios expostos nas Sagradas Escrituras. |
autor
Antonio Carlos Barro
É Presidente da Faculdade Teológica Sul-Americana, na mesma
cidade. É formado em teologia, com mestrado e doutorado pelo Fuller
Theological Seminary, nos Estados Unidos.
Escreve também para
www.ejesus.com.br |
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"Muita paz têm os
que amam a tua lei" (Salmo 119.165)
Um dos grandes trunfos do movimento evangélico no Brasil era o de acusar as
outras religiões e seus seguidores de sincréticos e por causa disto,
perdidos e condenados a fogueira eterna. O evangélico sempre viu e continua
vendo os outros como pessoas irremediavelmente perdidas. Pessoas dignas de
pena, de compaixão. Existia sempre um ar de superioridade no rosto do
evangélico. Como isto tem mudado!
O meio evangélico tem sido
bastante fértil em produzir o seu próprio sincretismo. É, reconhecemos, um
sincretismo mascarado de piedade, fervor, unção. A prática evangélica atual
não a autoriza a condenar os outros, longe disto. A prática evangélica é
hoje totalmente relativa e suscetível aos ditames do marketing religioso. A
opressão do "fazer a igreja crescer" levou os pastores, líderes e crentes,
de uma maneira geral, a abrir mão dos conceitos e princípios expostos nas
Sagradas Escrituras.
Nada
disto é consciente (pelo menos eu acho que não é). Tudo é subliminar.
Citemos alguns exemplos. Ungir com óleo, que é uma recomendação bíblica no
caso de uma enfermidade, ou no cerimonial judaico, tornou-se hoje uma coisa
banal. Pessoas são ungidas para as mais diferentes coisas. Seja por uma
simples dor de cabeça, ou para arrumar emprego, ou para ter o marido de
volta, ou para zerar o saldo devedor no banco.
Outros
exemplos: Deixar a Bíblia aberta no Salmo 91 para que ladrão não roube a
casa; freqüentar qualquer coisa relacionada com o número sete: sete semanas
da oração poderosa, sete correntes da libertação e por aí vai.
O
crente hoje é quase que uma pessoa ignorante das verdades bíblicas, das
doutrinas evangélicas, dos princípios do Reino de Deus, dos valores e éticas
cristãs. O crente de hoje é quase que um analfabeto quando o assunto é fé,
justiça, misericórdia, salvação, missão. Se o apóstolo Paulo afirmou que o
justo vive pela fé, hoje é difícil descobrir qual a motivação vivencial do
crente. Ele vive por causa do quê?
Antes
de acusar os seguidores das outras religiões como ignorantes, reflita sobre
a sua própria prática cristã. Isto vai lhe fazer bem e lhe conceder
autoridade para evangelizar o outro.
"Senhor, firma os passos na tua palavra, pois ela me liberta"
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