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Pensa-se que a inveja é desejar ter o
que o outro tem. Isso na verdade é a cobiça, também catalogada na Bíblia
como pecado. A inveja segundo o dicionário é um misto de ódio e desgosto
provocado pela prosperidade ou alegria de outrem. Em outras palavras, a
inveja é a tremenda raiva que a pessoa desenvolve porque o outro está bem,
está feliz. Existe
uma fina distinção entre a inveja e a cobiça. “A pessoa cobiçosa quer
possuir os bens do vizinho, enquanto que a pessoa invejosa lamenta esses
bens. Ela fica triste por causa de prosperidade do vizinho” (W.F. May).
A inveja se desenvolve
geralmente entre pessoas que possuem o mesmo nível de vida, a mesma
profissão, os mesmos relacionamentos, freqüentam os mesmos ambientes. Se por
exemplo, eu sou médico, eu não teria inveja do Pavaroti, porque ele milita
numa área diferente da minha, mas se eu fosse cantor de opera provavelmente
teria por não ter a capacidade que ele tem e não tem os méritos que ele têm.
Veja ainda como as pessoas que freqüentam os mesmos lugares morrem de inveja
quando alguém recebe destaque ou brilha mais do que o invejoso numa festa.
A inveja é também um
sentimento interior que quase nunca é revelado. É algo guardado no coração.
Olavo de Carvalho na crônica ‘Dialética da Inveja’ diz: “A gente confessa
ódio, humilhação, medo, ciúme, tristeza, cobiça. Inveja, nunca. A inveja
admitida se anularia no ato, transmutando-se em competição franca ou em
desistência resignada. A inveja é o único sentimento que se alimenta de sua
própria ocultação”.
O remédio para a inveja é
amargo. A confissão deve ser o primeiro passo. Confessar a Deus que nutre
inveja por tal e tal pessoa, que não suporta ver esse alguém sendo melhor,
que tem raiva quando alguém recebe um elogio e eu não. Passada a confissão
vem uma internalização teológica importante. Todos nós fomos criados a
imagem e semelhança de Deus, portanto, todos nós fomos criados com valores e
virtudes e existe espaço para todos nós no universo.
Em terceiro lugar, passar
à ação. Aqui creio que o apóstolo Paulo nos ajuda na sua carta aos Romanos.
Ele diz: “Amai-vos cordialmente, uns aos outros com amor fraternal,
preferindo-vos em honra uns aos outros”. E ele vai além para nos desafiar:
“Tende o mesmo sentimento uns para com os outros; em lugar de serdes
orgulhosos, condescendei com o que é humilde; não sejais sábios aos vossos
próprios olhos”.
Ser cristão é isso. O
nosso problema será crer se vale a pena seguir a orientação da Bíblia ou
tentar por nossos próprios esforços alcançar a felicidade. Quem não é feliz
com as bênçãos de Deus ainda vai morrer de inveja!
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