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A morte por causa da vida
A missionária
católica Dorothy Stang, 73, foi recentemente assassinada com nove tiros no
município de Anapu (PA). Ela trabalhava havia mais de 20 anos no Estado e
defendia causas ambientais e trabalhadores sem-terra.
Esta morte chocou a todos, especialmente por tratar-se de uma anciã, mulher
e missionária. Parece engraçado, mas tem-se a impressão de que quem morre
lutando a favor dos direitos humanos, principalmente os direitos dos pobres
e excluídos não recebem a atenção que deveria receber. Alguém pode até mesmo
pensar que a missionária morreu porque se meteu onde não era chamada. Que ao
invés de ajudar os pobres no Pará ou defender o meu ambiente, ela deveria
estar evangelizando. Esse é um engano fatal... |
autor
Antonio Carlos Barro
É Presidente da Faculdade Teológica Sul-Americana, na mesma
cidade. É formado em teologia, com mestrado e doutorado pelo Fuller
Theological Seminary, nos Estados Unidos.
Escreve também para
www.ejesus.com.br |
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A missionária
católica Dorothy Stang, 73, foi recentemente assassinada com nove tiros no
município de Anapu (PA). Ela trabalhava havia mais de 20 anos no Estado e
defendia causas ambientais e trabalhadores sem-terra.
Esta morte chocou a todos, especialmente por tratar-se de uma anciã, mulher
e missionária. Parece engraçado, mas tem-se a impressão de que quem morre
lutando a favor dos direitos humanos, principalmente os direitos dos pobres
e excluídos não recebem a atenção que deveria receber. Alguém pode até mesmo
pensar que a missionária morreu porque se meteu onde não era chamada. Que ao
invés de ajudar os pobres no Pará ou defender o meu ambiente, ela deveria
estar evangelizando.
Esse é um engano fatal. Divorciar o evangelho da criação realizada por Deus
quase sempre foi uma característica do povo cristão como que querendo dizer
que Deus não se importa com o mundo fora das paredes do templo. Precisamos
recordar que Deus criou todas as coisas e que em se tratando da criação ela
aponta para o poder do Criador. Assim sendo, quando nós cuidamos daquilo que
cuidava Dorothy, nós estamos fazendo algo que agrada muito a Deus. E num
certo sentido, que não tem sensibilidade para cuidar da natureza certamente
terá pouca sensibilidade em cuidar de pessoas.
O outro erro que alguém pode incorrer é o de pensar que ela não deveria
estar no meio dos pobres e dos oprimidos; que o papel da igreja não é social
e sim espiritual. Essa tendência de separar a vida das pessoas em social e
espiritual não encontra base bíblica. Jesus Cristo veio para salvar o ser
humano em todas as suas dimensões pois o pecado desfigura a pessoa como um
todo e não somente o seu espírito e sua alma. Tomar partido em favor do que
é desfavorecido é de fato praticar a verdadeira religião. Tiago diz: “A
religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta: Visitar os
órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se isento da corrupção do
mundo” (1.27). Isto fazia a missionária e por não fazer parte do sistema
corrupto que grassa esse país, foi morta.
A respeito dos mártires, Frei Estêvão Nunes disse: “Como no início da
história da Igreja, quando ‘o sangue dos mártires era a semente de novos
cristãos’, também hoje há muita gente que abraçou pra valer a causa de
Cristo, com o mesmo entusiasmo e a mesma força daqueles tempos”.
Louvado seja Deus por aqueles e aquelas que podem dizer com Paulo: “mas em
nada tenho a minha vida como preciosa para mim, contando que complete a
minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar
testemunho do evangelho da graça de Deus” (Atos 20.24). |
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