Assim caminha a igreja
Nosso olhar da
igreja é quase sempre um olhar inocente, purista e, principalmente,
idealista. Temos saudades de uma igreja que nunca existiu e nunca existirá.
Temos sonhos de pertencermos a uma igreja tipo “jardim do paraíso” e, por
isso, nos frustramos com a nossa congregação. Almejamos a igreja ideal,
quando possuímos apenas a real. |
autor
Antonio Carlos Barro
É Presidente da Faculdade Teológica Sul-Americana, na mesma
cidade. É formado em teologia, com mestrado e doutorado pelo Fuller
Theological Seminary, nos Estados Unidos.
Escreve também para
www.ejesus.com.br |
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Nosso olhar da
igreja é quase sempre um olhar inocente, purista e, principalmente,
idealista. Temos saudades de uma igreja que nunca existiu e nunca existirá.
Temos sonhos de pertencermos a uma igreja tipo “jardim do paraíso” e, por
isso, nos frustramos com a nossa congregação. Almejamos a igreja ideal,
quando possuímos apenas a real.
Somos imperfeitos, falhos, pecadores, indolentes, fracassados em muitas
áreas da vida. Todavia, quando pensamos na igreja, queremos uma igreja boa,
santa, justa, perfeita, pura e correta em todas as ações. Queremos uma
igreja que ora, evangeliza, faz missão, jejua, prega, visita e tantas outras
coisas mais. Não somos nada disso, mas queremos isso.
Não existe nada mais fatal para uma igreja do que esse olhar, pois é um
olhar que não leva em consideração a pecaminosidade e fragilidade do ser
humano, pois, mesmo salva e resgatada pela graça de Deus, a pessoa continua
dizendo como o Apóstolo Paulo: “Miserável homem que eu sou! Quem me
livrará do corpo desta morte?” (Rm 7.24). Ele vai mais além quando
afirma: “Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse
faço” (Rm 7.19).
Entre a igreja do “jardim do paraíso” e a igreja “terrena” há um grande
abismo de separação. A igreja não é o que ela será na eternidade. Hoje ela é
imperfeita, impura e cheia de defeitos. A igreja é isso e não há como negar
essa realidade.
Todavia, num outro olhar, a igreja não será o que ela é hoje. Ela caminha
para ser santa, pura, sem defeitos, sem manchas. Este é o olhar de Paulo em
Efésios 5.25-27. Creio que é por isso que ele não desistia da missão. Ele
via a igreja com dois olhares: o olhar da eternidade e olhar do aqui e
agora. A igreja faz parte destes dois mundos.
Assim caminha a igreja, assim caminha você, assim caminhamos nós. Às vezes,
andamos nos vales sombrios da dor, do pecado, da miséria. Às vezes andamos
nas nuvens, nas vitórias, na glória.
O melhor olhar para ver a igreja é o olhar que parte dos olhos de alguém
que, salvo pela graça de Deus, continua aberto aos processos de modelagem do
Criador (Fp 1.6). Enquanto não chegar aquele dia final, não desista da
igreja de Cristo.
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