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Enquanto leio vários
e-mails (meu Deus, quem inventou isso?) e também vários comentários na
Internet, tenho visto uma profusão de artigos de pessoas sérias desistindo
do nome “evangélico”, pois o mesmo, segundo esses, já não mais condiz com a
realidade do que seja evangélico hoje. Ser evangélico seria o mesmo que
estar alinhado com essa plêiade de ignorantes que ocupam a mídia, seja para
o bem ou para o mal. Esse pessoal mancha a tradição e bom nome evangélico,
choram os nossos. Será isso mesmo? Não teria por detrás desse lamento uma
agenda escondida? Não teria algo que não é perceptível ao público de uma
maneira geral? Eu creio que sim.
O que está faltando aos
líderes evangélicos (os nossos) é uma mea-culpa individual, coletiva e
pública. Os líderes das igrejas independentes (os outros) não surgiram em
naves espaciais vindos de outros planetas com uma mensagem extraterrena.
Eles foram criados por nós. Eles são produtos das nossas doenças e dos
nossos guetos. Eles surgiram na esteira da nossa inércia e da nossa falta de
capacidade de responder a problemas concretos do nosso povo brasileiro.
Havia um grito de desespero, um grito por socorro e nós estávamos nos
quartéis fazendo conferências, seminários e simpósios cujos resultados não
afetavam nem mesmo as pessoas que serviam nossos cafés e limpavam o
auditório banhado de nossas lágrimas pela miséria do mundo. Agora é tarde.
Como diz a sabedoria popular: “Não adianta chorar o leite derramado”. Agora
não adianta fazer manifestos, escrever teses e afixá-las nos portais da
Internet. O cristianismo como ele ficou conhecido nas páginas do Novo
Testamento acabou e na sua esteira surgiu uma cristandade totalmente
fragmentada. E isso não é nada ainda. O pior está por vir. As bestas do
apocalipse estão de prontidão, esperando a voz de comando para uma última
invasão contra os poucos impenitentes que ainda se aventuram, teimosamente,
a seguir o Nome.
Assim, a esperança está no futuro, na “arquitetura em movimento” (J. Ellul).
Ela é indestrutível e impossível de ser parada. Sua construção começou numa
outra era (o Reino é chegado, disse Ele) e adentrará a outra era (Eu levarei
vocês comigo, disse Ele). Por isso, ser evangélico, no seu sentido mais puro
e sublime é estar alinhado com o Mensageiro das Boas Novas, pois Ele é e
sempre será uma Boa Nova. Ser evangélico está sendo sinonimizado com ser
denominacional ou pertencente a uma igreja que não seja católica. Risível. O
nome evangélico não é uma grife, é um estilo de vida. Pode ser imitado, mas
não pode ser confundido. Eu fico evangélico e espero lutando até que chegue
o Dia, enquanto isso, proponho uma ativação da nossa memória cantando:
Há de
ter um lugar onde o tempo há de parar,
onde a paz se faz real
e o irreal amor não há, não.
Sei que há, pois Deus o diz e eu não posso duvidar,
mesmo que não possa imaginar,
espero o dia, sim, espero.
Aleluia, aleluia, no céu eu vou morar,
Aleluia, aleluia, pois Cristo vem me buscar.
Há de ter um lugar onde lágrimas não rolarão,
fracassados, dias maus, da vida em caos,
jamais verei, pois,
no lugar, santo lugar, onde o inimigo ausente estará,
Face a face a Cristo verei
E muitos verão, por isso eu canto...
(SANTO LUGAR, Letra e
Música: Paulo César da Silva)
Louvado seja Deus! O inimigo
ausente estará. Por isso, você pode desistir de tudo, não desista daquele
que o conquistou.
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