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DIÁRIO DE BORDO
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O diabo e seu lugar na economia divina
Não está em jogo aqui o corpo e sim a posição de poder tanto de Miguel, do Diabo, e principalmente de Deus. Deus é maior do que todos os seres criados. Essa é a lição central do texto.  Nesses dias quando o diabo tem tido tanta preeminência nas igrejas ou nas pregações, seria boa observamos duas coisas: (1) Ele não precisa da nossa repreensão, pois será condenado pelo próprio Deus e, (2) não necessitamos valorizar demais as suas obras, pois elas estão debaixo do controle soberano de Deus. Não é fácil, mas é assim que deve ser.
 

autor
Antonio Carlos Barro
É Presidente da Faculdade Teológica Sul-Americana, na mesma cidade. É formado em teologia, com mestrado e doutorado pelo Fuller Theological Seminary, nos Estados Unidos.
Escreve também para www.ejesus.com.br

 
Nem mesmo o arcanjo Miguel fez isso. Na discussão que teve com o Diabo, para decidir quem ia ficar com o corpo de Moisés, Miguel não se atreveu a condenar o Diabo com insultos, mas apenas disse: ‘Que o Senhor repreenda você!’

Naturalmente que não podemos estabelecer uma doutrina em cima de um verso da Bíblia, pois a Bíblia toda não pode contradizer-se naquilo que ensina. Afirmar que o verso acima é base para o purgatório é forçar demais o que o texto não quer dizer. No linguajar comum, é fazer do texto um mero pretexto.

Observemos que o texto não está em primeiro lugar enfatizando o corpo de Moisés e sim a posição do Diabo com respeito ao seu poder ou seu status de ser criado por Deus. O texto quer ensinar que o Diabo não é meramente um ser qualquer, alguém que pode ser desprezado ou zombado. O arcanjo Miguel estava em posição de discutir com o Diabo, todavia, preferiu transferir a Deus a responsabilidade de repreender o Diabo.

A palavra discussão acima é dialegomai no original grego. Isso tem o sentido de conversa, dialogo.

Alguns autores pensam que Miguel não repreendeu o Diabo por causa da sua reverência à dignidade que o Diabo ocupava anteriormente à sua queda. Ray Stedman comentando o verso diz: “O argumento de Judas é, se arcanjos, que têm tanto poder e conhecimento da verdade, são cuidadosos em respeitar a dignidade concedida aos anjos caídos, porque então nós, meros humanos, falamos de maneira desdenhosa dos principados e poderes nos lugares celestiais?

Assim sendo, como já afirmei acima, o objetivo primário do texto é mostrar o status do Diabo no universo dos seres celestiais. Com respeito à morte de Moisés, lemos: “Assim Moisés, servo do Senhor, morreu ali na terra de Moabe, conforme o dito do Senhor, que o sepultou no vale, na terra de Moabe, defronte de Bete-Peor; e ninguém soube até hoje o lugar da sua sepultura” (Dt 34:6-7).

Porque o Diabo disputou o corpo de Moisés? Veja que ele disputou o corpo de Moisés quando Moisés morreu e foi enterrado. Segundo alguns autores, temos o seguinte:

1. Esta é uma passagem misteriosa; pensa-se que o Diabo queria usar o corpo de Moisés como objeto de adoração e conduzir Israel a idolatria 

2. Outros autores pensam que Satanás queria violar o corpo de Moisés, e reivindicar o seu direito sobre o corpo porque Moisés havia matado um egípcio.

3. Deus tinha um outro propósito para o corpo de Moisés (aparição no Monte da Transfiguração) e o Diabo queria atrapalhar esse objetivo.

O tema central do verso não é porque Miguel estava batalhando pelo corpo e sim como ele estava batalhando. Não está em jogo aqui o corpo e sim a posição de poder tanto de Miguel, do Diabo, e principalmente de Deus. Deus é maior do que todos os seres criados. Essa é a lição central do texto.

Como diz outro autor: “Deus não nos chamou para julgar o diabo, zombar dele ou acusá-lo, mas batalhar contra ele no nome do Senhor” (David Guzik).

Resumindo: o tema central do texto é a doutrina dos anjos (angeologia) e nada mais. Nesses dias quando o diabo tem tido tanta preeminência nas igrejas ou nas pregações, seria boa observamos duas coisas: (1) Ele não precisa da nossa repreensão, pois será condenado pelo próprio Deus e, (2) não necessitamos valorizar demais as suas obras, pois elas estão debaixo do controle soberano de Deus. Não é fácil, mas é assim que deve ser.

  

 

   
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