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DIÁRIO DE BORDO
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Você é dono de igreja?
Mas, você concorda comigo que algumas igrejas tem outros donos? Sejam eles os Fulanos, os Pereira, os Oxbridge ou qualquer outro que apareça, dói ver que igrejas tornam-se semelhantes a clubes e associações amigos-de-bairro quando decidem se circunscrever dentro de limites sociais, humanos, falhos e sujeitos a tropeços. Deixam de ser agências de salvação. Deixam de ser casa de Deus. Passam a ser clubes, partidos, associações.

autor
Carlos Sider
Engenheiro e Administrador. Cristão há mais de 20 anos. Atuou como executivo em diversas empresas e hoje é Diretor Geral da Magna Latina, empresa que engloba a Provoice.
É casado com Thelma e tem 3 filhos, Ricardo, Marina e Cristina


Você é dono de alguma? Ou é dono de algum ministério diferente? Você é dono de alguma instituição, alguma missão?

É realmente uma pergunta absurda! Porém mais absurdo ainda é verificar que na teoria todos concordamos: o dono da igreja é Jesus. Mas, na prática... ai, ai, ai...

Venha comigo visitar algumas igrejas.

Visitemos a igreja tal, mais conhecida como a igreja do Pr. Fulano. É fácil de identificar. Ela é conhecida pelo nome do Pastor. Pouco importa o nome dela, ou do bairro. É a igreja do Pastor Fulano. E se ele mudar de igreja algum dia, aí é a outra que será conhecida como a igreja dele.

Até pode ser que ela tenha ganho esse nome por conta da projeção do Pr. Fulano. Mas na maioria das vezes, ela corre o risco de ter o Pr. Fulano como o seu dono mesmo. Lá quem manda é ele. Claro que cercado por um grupo de pessoas que o apoiam, incondicionalmente. No passado, é verdade, nem sempre foi assim. Até que alguns se mostraram contra suas idéias, mas o número dos favoráveis foi maior. Os incomodados que se mudassem. E mudaram. O Pr. Fulano agora é o dono do pedaço.

E o ministério da igreja? Funciona? Enquanto, e se o Pr. Fulano permanecer fiel ao seu Senhor, talvez esteja funcionando bem. Mas se ele der algum tropicão... cai o dono, cai a igreja...

Vamos andar um pouco mais.

Vamos à igreja dos Pereira. Não! O Pastor não é Pereira. Pereira é a família que manda prender e manda soltar. O que acaba significando que a soma dos cheques dos Pereiras tem um peso muito grande nas receitas da igreja. Os Pereiras acabam sendo quem diz o que pode e o que não pode. O Pastor que se cuide. Manda quem pode, obedece quem tem juízo! Se bobear perde o emprego! Ah..., a filha adolescente do Pereirão apareceu grávida? Sem problema! O tio Pereira, que é médico, dá um jeito rapidinho, com segurança e discrição. Ah... as organizaçoes Pereira são o reino do Caixa 2? E o Pastor? E a metade da igreja que sabe de tudo? Ora, você se esqueceu de quem manda? Ficam todos quietinhos. Ninguém desobedece os donos da igreja. E que ninguém esqueça que são os Pereira. E a metade da cidade que sabe de tudo? Ora, esses perdidos...

Não pare ainda. Venha comigo a outro bairro.

Visitemos a igreja Oxbridge
(nome fictício – qualquer semelhança é mera coincidência). Não importa se ela é em Afogados, em Acarí, ou no bairro da Moóca. Ela é a igreja Oxbridge. Pois Oxbridge é o nome da casa matriz, que fica lá nas terras estrangeiras. Porque lá era uma vez uma igreja, num bairro chamado Oxbridge, que inventou uma forma interessante e diferente de ser e que deu certo por lá. Aí, até para alcançar Samaria e os confins da terra, começaram a vender suas “franquias”. A igreja Oxbridge tupiniquim faz tudo igual a matriz. E a matriz define tudo. Afinal, se deu certo por lá, dará certo por aqui, não é não? O vestuário do Pastor, as músicas, as estratégias, os cursos, tudo enfim. Só falta falar inglês nos cultos. A filial que obedeça à matriz. A filial que seja a subsidiária da multinacional. A filial que obedeça à sua dona – a matriz Oxbridge.

Concordemos que toda igreja tem dono. Tem que ter. Deveria ter. Biblicamente toda igreja deve ser de Jesus.

Mas, você concorda comigo que algumas igrejas tem outros donos? Sejam eles os Fulanos, os Pereira, os Oxbridge ou qualquer outro que apareça, dói ver que igrejas tornam-se semelhantes a clubes e associações amigos-de-bairro quando decidem se circunscrever dentro de limites sociais, humanos, falhos e sujeitos a tropeços. Deixam de ser agências de salvação. Deixam de ser casa de Deus. Passam a ser clubes, partidos, associações.

E como é que os donos aparecem?

Por certo não é de uma hora para outra. Também não é de propósito. Ninguém sai de casa um certo dia dizendo que tem o objetivo de ser dono da igreja. Mas acaba sendo. E com o apoio de outros, que gostam disso.

Como é que isso acontece?

Não sei. Mas quero pensar nisso por uns quinze dias e falar disso na próxima edição.

(clique aqui para ver a edição seguinte, publicada 15 dias depois)


 

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