seja assinante da

e receba gratuitamente esta revista em seu e-mail.
Clique aqui para fazer o seu cadastro
 
 

 

  
 


DIÁRIO DE BORDO
conheça o mais novo CD de Carlos Sider,

ouça um pouco de cada canção,
clicando aqui

 





Como aparece o dono da igreja?
...que atire a primeira pedra o líder que jamais se achou dono do seu pedaço. Que nunca disse, intimamente: isso aqui só anda porque eu estou aqui! Que jamais se sentiu contrariado quando outros, de outros ministérios, chegaram e começaram a dizer que as coisas deveriam ser de outro jeito

autor
Carlos Sider
Engenheiro e Administrador. Cristão há mais de 20 anos. Atuou como executivo em diversas empresas e hoje é Diretor Geral da Magna Latina, empresa que engloba a Provoice.
É casado com Thelma e tem 3 filhos, Ricardo, Marina e Cristina


Há duas semanas atrás falamos sobre “Você é dono de igreja?” (Aliás, se quiser ler a primeira parte, clique aqui).

Bem, voltando ao final do artigo anterior, como é que estes donos aparecem? Como é que isso acontece? Que passos são dados? E em que direção?

Por certo alguém pega o desvio em algum lugar. Em algum momento um grupo de pessoas deixa de ser uma igreja segundo o projeto de Jesus, para ser igreja segundo “alguém”. Onde fica esse desvio? Em que momento isso ocorre?

Confesso que fiquei pensando bastante tempo nisso. E cheguei a algumas conclusões:

      1)     o desvio ocorre no coração, no íntimo de um líder, e isso ocorre muitas e muitas vezes;

2)     este desvio é “confirmado” ou “deletado” em um processo, onde mais gente da igreja “concorda” ou “discorda” deste líder;

3)     todo e qualquer líder está bem mais próximo do que pensa de querer ser dono da igreja (ou de pelo menos de parte dela)

Sobre a primeira e a terceira afirmações, que atire a primeira pedra o líder que jamais se achou dono do seu pedaço. Que nunca disse, intimamente: isso aqui só anda porque eu estou aqui! Que jamais se sentiu contrariado quando outros, de outros ministérios, chegaram e começaram a dizer que as coisas deveriam ser de outro jeito.

A convivência entre o “achar-nos donos” e o “reconhecer quem é o dono de verdade” é contínua. Os bons líderes aos olhos de Deus são os que aprenderam deixar a gangorra pender do lado certo na maior parte das vezes. E isso é contrário a nossa natureza. O natural, para quem é líder, é ter as coisas sob controle, é comandar, é dar os rumos o tempo todo. Duro é entender, e praticar, que Deus espera de nós que sejamos os representantes, porta-vozes dele. Não sócios.

Portanto, concluo que todo e qualquer líder cristão teve, tem e terá momentos em que desejará ser o dono do pedaço. Ocasiões em que agirá como dono.

Mas graças a Deus que existem os liderados. E graças a Deus liderados também pensam, relacionam-se com o mesmo Deus e tem boca pra falar. Na maioria das vezes em que o líder entra no desvio (ainda que inconscientemente), o dia-a-dia com os liderados o faz lembrar rapidinho que o buraco é mais embaixo. Seja porque lhe cai a ficha, seja porque Deus usa algum liderado mais corajoso que lhe diz umas poucas e boas, seja o que for.

Se você é líder, pense em quantas vezes saiu de casa com uma idéia na cabeça, e na hora do “vamos ver” ficou claro que a idéia não dava tanto Ibope assim...

Graças a Deus existem outros líderes também. E com outros dons. Outras formas de ver a mesma coisa. E que são usados por Deus para que idéias “nocivas” sejam deletadas, não apoiadas.

Entretanto, a igreja do Pr. Fulano é composta por um líder que um dia se achou dono da coisa (o Fulano), e por um grupo de pessoas que gostou da idéia. Alguém pensou: no dia em que o Fulano mandar de fato vou ser regente do coro! Outro disse: no dia em que o Fulano ditar as regras “esses chatos” (os incomodados, que se mudaram mais tarde) vão perder a pose e a vez. E a maioria disse, como sempre, que tanto faz como tanto fez. Pena que Cristo perdeu o posto de dono da igreja para o Fulano. O Cristo ressurreto, Emanuel, Deus conosco, Salvador, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz foi trocado... por um mortal, incapaz de se salvar sozinho, pecador, mas que fala bem, e que tem bons amigos que o apoiam.

Ainda bem que é só ficção... o Fulano e as fulanetes são só personagens deste artigo.

O mesmo processo deve ter ocorrido na igreja dos Pereira. Onde o Pastor se inclui no grupo de apoio (gostando ou não, sabe-se lá).

E na igreja Oxbridge
(mais uma vez esclareço: nome fic-tí-cio – qualquer semelhança é mera coincidência)? Alguém, até correto em suas intenções, seja o Pastor, seja algum membro, deve ter perguntado: “como nossa igreja pode ser mais eficaz?” Aproveitando de uma boa solução (boa mesmo, não é ironia, não), foi ver o que se fazia por aí, por aqui, por acolá. E encontrou, dentre muitas opções, a Oxbridge. Gostou tanto que resolveu aplicar na sua igreja. Sem filtros ou adaptações. Mais ainda: pediu apoio a eles, no que prontamente foi atendido. E eles, com sua cultura de colonização, chegaram e ocuparam o espaço, na base do “deu-certo-lá-vai-ter-que-dar-certo-aqui-did-you-understand?” Neste caso o cargo de dono não foi pleiteado. Foi oferecido, e aceito.

Se você é um líder, concluo que nós (também sou um) não podemos e não devemos sair dizendo: “desta água não beberei”. Já bebemos, continuamos bebendo e beberemos ainda mais, sim! Está em nós, até pelo amor que dedicamos a causa santa, o desejo de fazer acontecer. E é natural e exemplar jogarmos tudo o que somos e temos nisso. Pena que podemos esquecer que a causa é santa justamente porque não é nossa. É de Deus. É Ele quem a santifica. E Ele é o único dono. Basta um deslize e eu já virei Fulano, você já virou Pereira, e juntos chamamos a Oxbridge para nos patrocinar. Aquele que está de pé, olhe que não caia. Nós nos encontramos com o Fulano e com o Pereira todo dia no espelho. Precisamos mortificá-los e deixar Cristo mandar.

E se você faz parte de uma igreja, líder ou liderado, saiba que pesa sobre nós esta responsabilidade. A de manter Deus no seu posto – o de dono da igreja. Ele manda, nós obedecemos.

Ele institui líderes? Sim. Ele unge e capacita líderes? Sim. Mas se algum líder começa a usurpar o título de dono, abra a sua boca! Faça a sua parte. Exorte. Com amor, com sabedoria, exerça o que é sua responsabilidade. Afinal, você é integrante da igreja de Deus. E o líder é tão humano e falho como você.

Como disse há muito tempo João Batista, convém que Ele cresça e eu diminua. Que Jesus cresça, cresça, cresça, e que nós diminuamos, diminuamos, diminuamos, diminuamos...


 

saiba mais sobre este autor e seu trabalho em www.carlossider.com.br  
Clique aqui para ver outros artigos deste autor, e de outros
Clique aqui para voltar ao VOICE

 
Clique aqui para comentar este artigo
Seu comentário será enviado ao autor
Clique aqui para acessar a página inicial da Provoice
Clique aqui para enviar uma cópia deste artigo para um amigo

PROVOICE - 19-3856-7132 - Vinhedo, São Paulo, Brasil