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Está em nós a vontade de
fazer justiça. Ficamos de olho e não deixamos que ninguém quebre algum
direito nosso. A lei nos permite buscar ressarcimento por prejuízos que
outros nos causaram. A moral e os bons costumes nos mandam “ferver” quando
um crime hediondo é cometido. Festejamos quando os culpados por golpes e
falcatruas são desmascarados e punidos.
Lembro de uma vez, ainda menino, em que um dos meus irmãos aprontou uma
comigo. Fiquei tão nervoso que queria enforcá-lo. Meu velho avô, vendo toda
a situação, me aconselhou a tomar um saco de carvão inteirinho e, fazendo de
conta que o meu irmão era um mourão de cerca próximo da cena, jogar nele
pedaço a pedaço de todo aquele carvão com toda a força que eu tivesse.
Ah, como eu me senti emocionado! Enfim um dos mais velhos
entendia meu problema! Comecei a seguir aquele conselho com toda a força que
eu tinha.
Quando acabei com todo o carvão, ofegante, meu avô me
convidou a ir ver a obra. As poucas marcas de carvão no mourão eram absoluta
minoria perto da sujeira que eu havia deixado em volta. E logo após ele me
promoveu um encontro com o espelho. Eu estava da cor do carvão. O fantoche
do meu irmão – o mourão de cerca – era o mais limpo. As redondezas estavam
sujas mas eu era, sem dúvida alguma, o campeão da sujeira.
Independentemente do que é certo ou do que é errado (meu
irmão levou uma sova do meu pai naquele dia), a nossa necessidade por
justiça pode nos levar a perder o senso, e acabamos imundos com todo carvão
que queremos jogar no ofensor. Ele continua lá, quase que imaculado, mas
nós, coitados...ficamos amargurados, estressados, doentes.
Perdoar é a vacina contra ressentimentos e ignorâncias. Deus
diz que Ele cuida do resto. Afinal, Ele tudo vê! “Minha é a vingança, diz o
Senhor”.
Perdoar não é fácil, mas foi o que Ele fez para que hoje
pudéssemos ter comunhão com Ele. E Ele mesmo nos ensina a orar: “Pai, perdoa
as nossas dívidas assim como aos outros nós temos perdoado”.
Perdoar
é o caminho. Precisamos querer andar por ele.
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