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"When
a man loves a woman...” É o título de uma música cantada por Michael
Bolton, com letra de Percy Sledge.
É o retrato poético da paixão, do encantamento. Quando um homem ama uma
mulher, não consegue mais pensar em nada diferente. Não enxerga nada que ela
faça de errado, e briga com os melhores amigos se eles insinuam algo nesse
sentido. Quando este homem ama uma mulher, gasta o seu último centavo para
atender seus caprichos; é capaz de deixar o conforto e dormir na chuva se
ela disser que prefere assim. E quando este homem ama uma mulher, pode
acabar na miséria se ela o fizer de bobo. Ele será o último a saber, pois
olhos apaixonados não conseguem ver com clareza.
Em uma tradução bem livre, é isso o que a letra da música
contém (já excluídos os “oh, baby, baby, you´re my world” – sem os
quais não poderia ser uma música americana).
Quer saber? Discordo em gênero, número, grau, módulo, vetor e
intensidade (eta frase de engenheiro). O título da música, para conter a
letra que contém, deveria ser “quando um homem está apaixonado por uma
mulher”. Para alguns mesma coisa, para mim muita diferença.
Antes que você me crucifique, assumo que já fiquei bobo por uma mulher. Já
fiz músicas para uma mulher. Já fiz e faço poesias para uma mulher. Já sofrí
e sofro por uma mulher. E não vivo sem uma mulher – a mesma de todas as
frases, literalmente a única da minha vida – Thelma, com que estou casado há
21 anos. Some 5 anos de namoro, 26 anos. Sei do que a música fala, e gosto
dela. Mas amar uma mulher é muito mais do que isso. É muito mais do que
ficar bobo por ela, de satisfazer seus caprichos, de sofrer por ela.
Há dois conceitos nos quais me baseio para falar isso.
O primeiro, conhecido por todos os homens que casaram e permanecem casados
por mais de 10, 15, 20 anos. Obviamente falo de casais que gostam de viver
juntos. Exclua dessa classe os que apenas se aguentam.
Por este conceito, quando um homem ama uma mulher ele assume um
compromisso sem volta com ela. É o tipo (ou grau) de amor que permite
viver tudo aquilo que se repete no altar (na saúde, na doença, na riqueza,
na pobreza...) – viver, não apenas falar. É o tipo de amor que fica junto na
hora do desemprego, na hora do mal-humor, na hora das TPM´s (mesmo que com
“leves” reclamações), na hora disso e na hora do aquilo. É um tipo de amor
que vai muito além da paixão bobinha, superficial, passageira, que se
preocupa com a cara que ela faz, com o tom de voz que ela usa. E este amor é
muito mais que paixão, pois é bem melhor. Pra que brincar se há coisas
melhores pra se falar sério? Noites de paixão? Francamente, eu fico com as
noites de amor de hoje. Se outrora a energia podia ser algo maior, que me
desculpem os mais novos, mas experiência na vida a dois é fundamental.
(Ah... é claro.... estou falando de “fazer supermercado”).
Este amor é bem mais forte que paixão, pois o tempo nos
mostra e convence que ele veio, enfrentou umas pauladas e não fugiu, já
passou crises, ainda vai passar, e pode ficar mais e mais, dependendo de uma
palavra só: compromisso.
Este é um amor ao alcance de qualquer casal. Ainda estamos
falando de um amor humano.
Mas o segundo conceito é o que mais tem significado para mim. É o mais
forte, e francamente, sem querer parecer convencido, acho que é o que mais
tem temperado a minha vida com a Thelma. Quando um homem ama uma mulher,
ele se entrega totalmente a ela. Como está na Bíblia (em Efésios 5,
aquele mesmo que os maridos usam para dizer que a mulher precisa obedecer,
mas esquecem do resto). Quando um homem ama uma mulher, pelo padrão de Deus,
ele se entrega por ela, como Cristo se entregou a morte pela igreja.
Simples, não?
Humanamente impossível, mas viável a partir de uma vida com Cristo.
Você se entregaria à morte pela sua mulher? É o que Cristo fez por você. É o
que ele propõe que você faça por sua mulher. Afinal, alguém que é capaz de
morrer por alguém, realmente não mede esforços para trazer o melhor a quem
ama. Cristo diz que, se ele morreu por mim e vive em mim, eu posso tentar
morrer pela Thelma e me esforçar para viver a vida dela, olhando pelos olhos
dela, sofrendo as dores dela, pagando o preço por ela. Como Cristo fez.
Quando um homem ama uma mulher, ele não se preocupa em usufruir. Ele se
preocupa em se entregar. Servir e não ser servido. O resto vem sozinho, com
juros e uma correção monetária digna das maiores inflações.
Se tenho conseguido essa proeza? Pelo primeiro conceito, sim. Pelo segundo,
sei que não. Tenho mais tentado, mais falhado do que conseguido. Mas só
tentar, ainda que nas poucas e isoladas vezes em que consigo ir além do meu
“eu” teimoso, vale a pena. Vale muito a pena. Nessas horas o casamento
parece que sobe para o andar de cima. Fica mais perto do céu.
Quando um homem ama uma mulher, a mesma, a única, a certa, a sua, e tenta
entender o que Deus quer dele nessa relação, aprende e vive muito além da
paixão, muito além da euforia, muito além do corpo e do prazer, muito além
do próprio compromisso. Ele vive perto do céu.
É como eu
me sinto com a Thelma. A mesma mulher cujo povo é o meu povo, e cujo Deus é
o meu Deus. Faça Deus o que lhe aprouver se outra coisa que não seja a morte
me separe dela.
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