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Este é o décimo artigo de uma série: Os planos que dão
certo.
Na etapa anterior desta
série falamos de um Deus grandioso, maravilhoso, que faz uma absurda
diferença em nossos ministérios. Aliás, ministérios que Ele mesmo nos dá.
Por mais que planejemos, que façamos a nossa lição de casa, Ele sempre tem
Seus toques de Deus, imprevisíveis, surpreendentes, absolutamente
sobre-humanos.
E é bom que nunca nos esqueçamos: se podemos ter a “ousadia” de entrar na
presença de Deus, e receber Dele um ministério, um encargo, uma missão, é
unicamente porque Ele assim quis. Foi enviando o Seu próprio Filho para
morrer em nosso lugar, pagando com preço de sangue a conta que era nossa.
Nós não custamos barato para Deus.
Mas por que, ora bolas, somos tão avacalhados com os nossos ministérios? Por
que nossas igrejas estão repletas de gente fazendo as coisas do jeito que
dá, se der, quando der. E aí de quem falar que poderia ter sido feito
melhor. Ai de quem falar que não está bom.
Em
nosso emprego fazemos o melhor que podemos. Em nossa profissão queremos ser
os melhores. Quando compramos algo, é bom que não venha com defeito. Quando
contratamos um determinado serviço, por certo não aceitamos um serviço
entregue pela metade. Temos nossos direitos, afinal.
Mas na
hora de falarmos de ministério, parece que os nossos direitos se invertem.
Parece que assumimos o direito de poder fazer para Deus qualquer coisa, de
qualquer jeito, na hora que pudermos, se pudermos.
Igrejas e ministérios sofrem hoje em dia o mal terrível do descompromisso.
Infelizmente, a cada dia que passa os que de fato suam a camisa e decidem
tomar a cruz e seguir a Cristo são poucos e menores em número.
De outro lado, permanece sempre presente um outro número de cristãos,
voluntários, altamente compromissados mas pouco capacitados. Tesoureiros de
igreja sem qualquer habilidade ou conhecimento de contabilidade, cantores de
coral desafinados, músicos que pouco estudam ou se esmeram em fazer o que
fazem, enfim, gente com toda boa vontade do mundo, mas que nem sempre chega
onde precisa.
E qual
é o papel dos líderes das igrejas e dos ministérios? Exigir o melhor no
serviço de Deus? Lutar até o fim contra aquela conhecida frase de que ”já
que é pra Deus qualquer coisa serve”? Descer o porrete na avacalhação?
Francamente? Acho que não!
Confesso que já fui partidário de “não deixar barato com quem faz
corpo-mole”. Sempre tive dificuldades (e ainda as tenho) com coisas mal
feitas, com coisas feitas por gente que faz de qualquer jeito.
Profissionalmente aprendí a ser criterioso, aprendí a praticar o conceito de
“se algo merece ser feito, merece ser bem feito”. Mas sempre que fui aplicar
estes mesmos conceitos nos ministérios onde participei ou liderei, dei com
os burros n’água.
Mas também não creio que “deixar rolar qualquer coisa” seja a solução.
Qual a
melhor receita para resolver o problema?
Bem...
como era de se esperar, a melhor solução é a de Deus. E eu lhe convido a
lembrar do episódio, vivido por Jesus, conhecido por nós como o da viúva
pobre (está na Bíblia, no evangelho de Marcos, cap. 12, vs. 41 a 43). Creio
que estes 3 versos bíblicos trazem toda a solução para o problema. E diga-se
de passagem, uma solução absurdamente simples.
1º
fato – Deus mede a intenção do coração, não a qualidade “humana” do que
fazemos -
Humanamente as ofertas dos ricos eram muito mais representativas. Mas a
viúva colocou lá duas moedas de cobre, de muito pouco valor.
2º
fato – Deus avalia o quão sacrificial é nossa oferta
– Náo importa se estamos falando de ofertas financeiras ou trabalho. Estamos
ofertando a Deus. E a viúva ofertou todas as suas posses.
3º
fato – O que define o “sacrifício” é a proporção da oferta diante do que
Deus nos dá
– Os ricos deram do que lhes sobrava, e sobra não é sacrifício. A viúva deu
tudo o que ela tinha. Deus não se agrada do que nos sobra, e nem nos pede o
que náo temos.
Tentando aplicar estes conceitos aos nossos problemas de liderança, proponho
algumas convicções que trago comigo:
Como lidar com as pessoas de boa vontade e “nem tão boa” capacidade?
Creio que há dois tipos, o que devemos avaliar “como Deus avalia”:
- os
que são do ramo, mas não são tão bons como alguns outros – se o resultado
deles se parece com o da viúva pobre, se o trabalho deles é o melhor que
eles podem dar (até um pouco mais), reconheça e deixe rolar. Deus se agrada.
Exemplos: músicos no ministério de louvor – podem não ser os melhores
profissionais do ramo, mas que fazem o seu “arroz-com-feijão” com seriedade
e com todas as ferramentas que Deus lhes deu.
- os
que definitivamente não são do ramo – se eles estão querendo ofertar do que
Deus não lhes deu, ajude-os a descobrir isso, ajude-os a achar o seu real
ministério. Exemplo: cantores de coral ou músicos que querem estar na linha
de frente, mas não tem a mínima condição técnica de fazer isso. Mesmo que
aleguem toda “sinceridade” do mundo. A estes costumo dizer que, quando
tiverem um problema cardíaco, que me chamem. Com toda “sinceridade” do
mundo, terei prazer em ser o cirurgião, mesmo sendo engenheiro.
E
como lidar com os capazes que não querem nada com nada?
Que só fazem o que dá, quando dá, se dá... Enfim, como lidar com os
descompromissados? Creio que esses são os ricos da história da viúva pobre,
dando do que lhes sobrava. Mas, por mais vontade que tenhamos de exigir
algo, creio que não é o que Deus faria. Afinal, sacrifício não se exige. Que
mostremos a eles do que Deus se agrada. Que os motivemos a fazer mais. E se
mesmo assim houver mudança na atitude deles, talvez seja hora de mudá-los.
Às vezes, melhor contar com amadores motivados do que com profissionais
desmotivados ou esnobes.
Enfim,
se é pra Deus qualquer coisa serve? De jeito nenhum! Se é pra Deus, tem que
ser do melhor. Não necessariamente do melhor do mundo, mas do melhor que
temos nas nossas mãos, do melhor do que o próprio Deus nos dá.
Que
sejamos sábios, sérios diante de Deus. E que não sejamos cínicos. Maldito o
homem que faz a obra de Deus relaxadamente.
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