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DIÁRIO DE BORDO
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Quando todo mundo é corcunda, a bela postura torna-se monstruosidade
...nota-se a mesma coisa na nossa moda atual de lançar estratégias para crescimento das igrejas. A que “moda” sua igreja está filiada? G12, Propósitos, Células, Discipulado? Olha, a regra é “crescer”. Porque igreja que cresce é “normal”, não importa a que método e a que custo. Não importa se incha unicamente por movimentos migratórios de gente de outras igrejas. Igreja que não cresce (segundo certas regras) é fria, morta, estranha, etc... não é assim que se fala?

autor
Carlos Sider
Engenheiro e Administrador. Cristão há mais de 20 anos. Atuou como executivo em diversas empresas e hoje é Diretor Geral da Magna Latina, empresa que engloba a Provoice.
É casado com Thelma e tem 3 filhos, Ricardo, Marina e Cristina


Aqui está uma frase de Honorè de Balzac que revela algo inerente a todos nós. Nós nos espelhamos uns nos outros. O que nos orienta (ou consola) é o que faz e pensa a maioria.

Como assim? Onde todo mundo é branquelo, diferente e “estranho” é quem aparece bronzeado. Em terra de gordo, o pobre magro é “fraquinho". Gauss já dizia com sua curva (a tal da curva de Gauss, em forma de sino) que tudo o que a maior parte de uma população faz passa a ser chamado de “normal”, de “padrão”.

Pena que não só de exemplos estéticos vive a nossa normalidade. Basta lembrar que em lugar onde todo mundo sonega, quem paga imposto é “caxias”. Num mundo de onde todos “pulam a cerca”, fidelidade é coisa de “xarope”.

Enfim, em terra de cego quem tem olho é rei? Nem sempre! Em boa parte das vezes, a terra de cego considera o olho de quem enxerga algo ofensivo, desconfortável, pelo simples fato do confronto com algo diferente, estranho, talvez melhor.

E como o nosso meio evangélico é feito de gente, vale a mesma regra. Em terra de fariseu, quem não guarda o sábado é herege. Em igreja onde se fala línguas o tempo todo, quem não fala nem salvo é considerado. Já numa comunidade mais tradicional, onde a regra é estudar Bíblia, quem fala ou ora em línguas, ai, ai, ai.... ai coitado! E assim seguimos nestas briguinhas sem graça (sem a graça bíblica, e sem graça mesmo). Defendendo extremos, brigando por nossas manias, mas sem buscar de Deus as melhores verdades.

Mais ainda, nota-se a mesma coisa na nossa moda atual de lançar estratégias para crescimento das igrejas. A que “moda” sua igreja está filiada? G12, Propósitos, Células, Discipulado? Olha, a regra é “crescer”. Porque igreja que cresce é “normal”, não importa a que método e a que custo. Não importa se incha unicamente por movimentos migratórios de gente de outras igrejas. Igreja que não cresce (segundo certas regras) é fria, morta, estranha, etc... não é assim que se fala?

Eu era ainda uma criança quando conhecí uma missionária sustentada pela convenção denominacional a qual minha igreja pertencia. Certa vez ela veio dar seu testemunho na nossa igreja local. Falava de seu trabalho com um brilho nos olhos que me impressionou. Apesar da montanha de dificuldades que encontrava (era uma daquelas missionárias vivendo em um fim de mundo, investindo sua vida na formação de um pequeno grupo de líderes), ela vibrava por fazer o que fazia.

Hoje posso ver esta mesma pessoa na TV brasileira, em jornais e revistas, prometendo e “vendendo prosperidade” supostamente em nome de Deus. E fazendo pouco de comunidades que não crescem como “a dela” (talvez seja “dela” mesmo), dizendo que “se sua igreja não cresce, é porque o pasto deve estar fraco”.

Enfim, a saúde das igrejas de hoje é medida por estatísticas, e também se elas fazem parte da moda X ou moda Y. O que Deus diz de cada comunidade? Ora, o que importa? Que coisa... Em congresso de pastor de igreja grande, pastor de igreja pequena é um coitado...

Como disse Balzac, em terra de corcunda quem não anda torto é metido a besta, um monstro, um coitado, um... diferente. Como seria bom se, com diz John Stott, todos nós nos andássemos na consciência de que Deus nos chama para andar na contra-cultura, na contra-mão do que este mundo nos impinge. Que o nosso caminho é o estreito, não o largo...

Quanto tempo e quantas voltas este mundo precisa dar para que nos lembremos que a “postura correta” é a que Deus quer que tenhamos, mesmo que tudo a nossa volta nos lembre que “o normal” é ser corcunda?

 

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