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Olá, se você está
comigo desde o início do desenvolvimento deste tema, já é a terceira vez que
está lendo sobre o que penso das células-tronco e das pesquisas que as
envolvem. Nos dois primeiros textos fui bastante teórico porque precisava
passar conceitos teóricos e científicos para abalizar nossa discussão a
partir de agora. Neste artigo vou ser mais prático e bem mais direto no tema
das pesquisas das células-tronco. Só lembrando: células-tronco podem se
diferenciar em qualquer tipo de tecido. Existem dois tipos de células-tronco
basicamente: as embrionárias e as adultas.
Como já vimos anteriormente,
há um grande interesse na pesquisa com essas células, pois elas representam
uma possibilidade de cura para muitas doenças incuráveis hoje em dia.
Doenças degenerativas como as neurológicas e algumas musculares, doenças
metabólicas, doenças herdadas geneticamente ou adquiridas, enfim, muitas
delas poderão ser tratadas até a sua cura definitiva.
Uma das
razões do grande interesse nessas pesquisas é justamente o fato das pessoas
não gostarem de ficar doentes. Febres, dores, indisposições, todo tipo de
mal-estar é combatido vigorosamente por cada um de nós. Ao primeiro espirro
ou tosse, toda mãe cuidadosa já fica atenta e manda a criança se proteger do
frio para evitar o pior. E, muitas vezes, mesmo assim, nossa luta é vã. Aí
então entram os remédios, injeções, tratamentos, dietas, faltas no trabalho,
na escola, enfim, entramos num período que ficamos limitados nos nossos
afazeres e prazeres. Precisamos abrir mão do que gostamos de fazer, da
convivência de quem gostamos. Nosso humor muda e ficamos irritados e
depressivos. Toda aquela força e robustez desaparecem. Aquela jovialidade e
vigor da vida quase murcham por completo. Ah, que coisa ruim é ficar doente
e que praga é a doença.
É minha
firme convicção que toda pessoa que escolhe trabalhar na área da saúde, na
área médica ou biomédica tem um real interesse no bem-estar do próximo. Por
outro lado, sei que existem muitos profissionais na medicina que são
incorretos, agem de má fé e estão interessados em coisas escusas. De
qualquer forma, é um tipo de profissão que força o profissional a fazer
certas escolhas, algumas bem difíceis.
O mesmo
acontece com aqueles profissionais que optam por trabalhar na área da
pesquisa científica. Especialmente no Brasil, os cientistas não são
remunerados como acham que merecem — acho que isso também acontece com
engenheiros, médicos, advogados e até biólogos — mas mesmo assim optam por
fazer pesquisa pelo prazer que isso representa, pelo desconhecido que querem
desvendar e até mesmo aplicar os resultados das pesquisas ao benefício das
pessoas, particularmente aos doentes. Acredito que as pesquisas com
células-tronco também envolvem esse aspecto. Tem muita gente séria
trabalhando com pesquisa básica para a melhoria da nossa qualidade de vida.
Contudo, é necessário comentar, infelizmente, que na área científica também
existe muito interesse errado. Há muita gente interessada em apenas ficar
famosa, angariar mais e mais recursos financeiros governamentais e privados
e fazer o nome. Qual cientista não gostaria de ficar “eternizado” nas
páginas da Science ou da Nature como aquele que descobriu a
cura para a AIDS, ou Parkinson, ou diabetes, ou até mesmo para doenças mais
simples como um resfriado! Imagine-se sendo aclamado pelas pessoas, pela
mídia especializada, dando entrevistas na televisão e revistas. Tal
cientista seria recebido por todo tipo de autoridade, presidentes, chefes de
Estado... congressos, simpósios e conferências. Pois é, a área científica
não é diferente de nenhuma outra e também tem cientista fazendo pesquisa
para receber os “louros da vitória”.
Julguei
necessário fazer essa pequena digressão do tema central para mostrar o que
pode estar por trás dos argumentos dos cientistas. E, antes que julguem mau,
não vou tecer nenhum tipo de juízo de valor quanto aos interesses das
pessoas envolvidas nessas pesquisas. Não é minha função julgar (no sentido
jurídico da expressão) a conduta das pessoas, nem dos cientistas sérios, nem
dos picaretas, nem das pessoas doentes de certos males, que nos momentos de
dor mais aguda fariam qualquer coisa para se curarem (até mesmo comprarem
suas “curas” em templos evangélicos de pastores “fazedores” de milagres).
Pois
bem, no Brasil há cerca de 20 mil embriões congelados, que não serão usados
para fertilizar nenhuma mulher e que, em aproximadamente 3 anos, serão
completamente descartados (vale lembrar que esses embriões só estão
congelados por que casais inférteis buscaram auxílio nas clínicas de
reprodução assistida). Para não usar de eufemismos: esses embriões serão
jogados fora! Só pra apimentar a conversa: são 20 mil embriões que, se
implantados em 20 mil mulheres poderiam gerar 20 mil crianças! Retomo a
mesma pergunta dos dois textos anteriores: esses 20 mil embriões são seres
humanos ou não? Se não são humanos, então podemos utilizá-los nas pesquisas
como se usássemos células sangüíneas. Podemos tirar alguns mililitros de
sangue de uma pessoa, utilizar em pesquisa e essa pessoa doadora não perde a
sua vida por causa disso. Se não são humanos, então não infringiremos
nenhuma lei, pois não mataremos nenhum ser humano.
Agora,
se considerarmos esses embriões como humanos legítimos, não em potencial, aí
teremos que repensar o valor das nossas pesquisas. Se esses embriões são
seres humanos, eles têm direito à vida e, portanto, ao usá-los nas
pesquisas, estaríamos negando esse direito a eles. Por isso é que acho de
fundamental importância sabermos nos posicionar quanto à pesquisa com
células-tronco. A ciência, muitas vezes, é um caminho sem volta e, em vez de
ajudar, pode criar traumas e problemas seríssimos. A sociedade precisa
discutir e aprofundar esse tema urgentemente.
Um
amigo meu, ginecologista e vereador em São Paulo, numa das conversas que tivemos sobre isso colocou um
exemplo que ilustra bem isso. Há algum tempo atrás, os casais só sabiam o
sexo da criança na hora do parto. Com o aparecimento do ultra-som, podemos
saber o sexo da criança muito tempo antes do parto. Ninguém nega que o
ultra-som seja um avanço. Entretanto, o exame pode acusar um criança
anencéfala, fadada a morrer logo depois do parto. Pronto, agora temos um
problema, e sério: o que o casal vai fazer? Veja, a frustração do casal
começa imediatamente. Mantém a gravidez? Tiram a criança antes? Será que vão
tentar outra gravidez? Será que devem adotar uma criança? Será que devem
procurar a inseminação artificial? Será que o casal tinha estrutura
psicológica para receber um resultado desse? Como que o ginecologista
conduziu o caso? Essas são questões que não existiam há 50 anos atrás. Elas
existem agora e precisamos discuti-las!
Há quem
pense da seguinte maneira: “Bem, já que os embriões existem e serão
descartados, seria mais digno que fossem utilizados para pesquisas
científicas”. Então, por que não pensar a mesma coisa para pessoas que se
encontram em estado vegetativo, tal como Terri Schiavo se encontrava? Bem,
ao perder suas faculdades mentais, Terri não apresentava mais sinais vitais
no cérebro, mas foi mantida viva, ligada a aparelhos que a alimentavam e
cuidavam de seus parâmetros metabólicos. Ora, se Terri Schiavo já não
mostrava sinais de autoconsciência, quanto mais um embrião que ainda não
desenvolveu o sistema nervoso central! Será que é por isso que muitos
cientistas consideram o início da vida apenas quando o sistema nervoso
central está formado, lá pela 20ª semana de gestação?
Terri
Schiavo não tinha consciência e nem se expressava, mas Christopher Reeve
estava consciente e se expressava, apesar de ter ficado tetraplégico! Ainda
vivo, o físico Stephen Hawking, se comunica apenas de modo digital e também
vive de modo vegetativo. Será que a vida é mesmo alguns sinais elétricos
emitidos pelo córtex cerebral e captados pelos aparelhos mais modernos de
ressonância ou tomografia? Será mesmo que a vida começa quando esses sinais
elétricos são captados na 20ª semana de gravidez. Tem um ditado que diz que
enquanto houver vida, há esperança. Para o cristão, a esperança advém da
morte de Jesus Cristo.
No
próximo e último artigo dessa série, vou tratar de como a Bíblia encara a
vida humana e qual seria a posição dela quanto a essas questões. Até lá.
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Veja outros artigos desta série:
Células-tronco
embrionárias são células humanas?
Célula-tronco
é um tipo de célula capaz de se diferenciar e constituir diferentes tecidos do
corpo humano. Isso significa que uma célula-tronco pode se diferenciar para uma
célula nervosa (neurônio), ou uma célula cardíaca, ou uma célula da pele, ou uma
célula do fígado, entre outros órgãos. A outra capacidade que essas células têm
é de se auto-replicarem. Isso significa que elas podem gerar cópias idênticas a
elas mesmas.
Como elas surgem? Essas células surgem da fecundação do óvulo pelo
espermatozóide. Ou seja, quando há a concepção de um novo ser humano. É muito
fácil entender. Quando ocorre a fecundação...
Células-tronco
embrionárias ou seres humanos embrionários?
Imagine que uma mulher
está há duas semanas com a menstruação atrasada e, desconfiada, compra na
farmácia mais próxima da casa dela um teste para gravidez. Sentindo os sintomas
básicos de uma provável gravidez ela faz o teste com quase certeza do resultado
que aparecerá. Depois de alguns minutos de colher o material, a cor do teste se
modifica e suas suspeitas se confirmam: ela está grávida. Minha pergunta é: ela
está grávida de quê?
Há algum tempo atrás a resposta a essa pergunta seria óbvia: ela está grávida de
um bebê. Mas o que entendemos pela palavra “bebê”?
Descarte
de embriões - Será que Deus concorda?
A argumentação de que
o uso desses embriões lhes daria dignidade (“pois seriam descartados
mesmo...”), esconde um problema. Esses embriões não têm capacidade de
decidir se querem ou não fazer parte das pesquisas científicas. Não se pode
dispor da vida dos seres vivos a bel prazer, mesmo com a argumentação do
benefício universal, do bem-estar geral, do avanço científico ou até mesmo a
argumentação da cura de certas doenças.
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