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Não se entregue ao
sono, não procure descansar. Livre-se como a gazela se livra do caçador,
como a ave do laço que a pode prender. Observe a formiga, preguiçoso,
reflita nos caminhos dela e seja sábio! Ela não tem nem chefe, nem
supervisor, nem governante, e ainda assim armazena as suas provisões no
verão e na época da colheita ajunta o seu alimento. Até quando você vai
ficar deitado, preguiçoso? Quando se levantará de seu sono? Tirando uma
soneca, cochilando um pouco, cruzando um pouco os braços para descansar, a
sua pobreza o surpreenderá como um assaltante, e a sua necessidade lhe
sobrevirá como um homem armado.
Provérbios
4:6-11 (NVI)
Para nós, cristãos, a Palavra de Deus é
fascinante por vários aspectos. Um dos pontos que mais fascina é o fato de
ter sido escrita por quase 50 pessoas, muitas delas com diferenças de
cultura, educação, origem e de tempo. E, mesmo assim, é possível encontrar
coerência em todos os seus pontos. Causa-nos deslumbramento vermos palavras
de Jesus presentes nos Salmos, por exemplo. Embora muitos homens tenham-na
escrito, o Autor é um só.
Como biólogo, eu fico
fascinado com o fato da Palavra de Deus nos comparar com muitos seres vivos.
Somos comparados a árvores, pintinhos protegidos por uma galinha,
gafanhotos, bois e jumentos, entre outros.
A
passagem bíblica que escolhi para esse texto é uma dessas comparações. Pra
quem não sabe, a formiga é um inseto. De modo geral, insetos possuem um par
de antenas, três pares de patas, um ou dois pares de asas. No caso das
formigas, apenas a formiga-rainha (içá, em algumas regiões do Brasil) possui
asas. Além disso, escolhi esse texto também pelo tema ser abordado na
Biologia, sob o nome de sociobiologia.
Esse
ramo da ciência estuda o comportamento social encontrado em várias espécies
de animais, vertebrados e invertebrados. É consenso, e muito bem
estabelecido, que a convivência gregária é vantajosa para a adaptação dos
seres ao meio ambiente em que vivem. Isso é aplicado desde o estudo de
formigas, abelhas e vespas, até estudos de psicologia humana. Na verdade, só
por causa dessa definição já teríamos muito o que comentar à luz da Bíblia.
Mas
vamos tentar imaginar um pouco no que Salomão estava pensando quando
escreveu isso. Certamente ele foi um grande observador da natureza. Se você
ler tanto Provérbios quanto Cantares vai perceber que os animais e vegetais
são colocados em comparação a nós, de forma poética ou analítica.
No caso
das formigas, muitos de nós já viram esses animais carregando pedaços de
folhas para dentro do formigueiro. Interessante é o fato que elas não se
alimentam das folhas, mas dos fungos que crescem sobre elas para
decompô-las. Assim, se elas não colherem essas folhas no verão, no outono,
quando as folhas caem e morrem, elas vão ficar sem alimento. Em segundo
lugar, apesar do formigueiro estar cheio elas continuam levando as folhas
para manter os estoques sempre em alta.
Num
formigueiro ainda, encontramos formigas com várias funções:
formigas-soldado, cortadeiras, carregadoras, as que vigiam os ovos, as que
protegem a rainha e a própria rainha. O mais fantástico de tudo é que cada
formiga dessa desempenha a sua função e não interfere na atividade da outra.
Ou seja, existe uma interdependência e uma “confiança” na formiga que vai
desempenhar a sua função. Nesse sentido, se sou uma cortadeira, posso fazer
meu serviço sem me preocupar em me defender, pois uma soldado estará próxima
de mim para me proteger. Poderia identificar na igreja o cristão-pastor,
cristão-músico, cristão-missionário, cristão-intercessor, entre outros.
Se
transportarmos isso para nós, como fez Salomão, veremos que temos muito a
aprender com esses animais. Em primeiro lugar aprendo que existe uma
hierarquia a ser respeitada. Existe uma rainha que comanda e mantém o
formigueiro. Essa rainha é a responsável pela reprodução e deposição de ovos
para novas formigas nascerem. Na minha vida não mando eu. Existe Alguém que
me é superior, ao qual devo reverência e para o qual vou prestar contas.
Nas
nossas igrejas locais também tem hierarquia. Deus colocou homens que Ele
mesmo tem preparado para nos comandar e nos levar a “pastos bem
verdejantes” (Salmo 23:2). Nossos líderes foram colocados por Deus e
devemos orar por eles, pois o trabalho deles visa o “aperfeiçoamento dos
santos” (Efésios 4:11-12).
Outro
ponto que quero destacar é que cada um de nós no reino de Deus,
individualmente, tem sua função (1 Coríntios 12:12-27). Se não fui colocado
por Deus para ministrar louvor, mas para distribuir os elementos da Ceia,
vou distribuí-los com o maior espírito de louvor. Se Deus não me dotou de
uma boa memória, como poderei ser um bom pregador? Ao contrário disso, sou
um excelente intercessor, então vou anotar os pedidos das pessoas e orar
para Deus abençoá-las.
Tenho
plena convicção que muitos dos problemas que a igreja evangélica no Brasil
está passando seriam evitados se atentássemos para as formigas. Se nos
alimentássemos da Palavra de Deus constantemente, teríamos reservas para
momentos de tentação e de desertos na nossa vida. Se ficássemos
desenvolvendo o dom que Deus nos deu, ao invés de ficar procurando “pêlo em
ovo”, poderíamos estar num momento mais firme, mais teológico, mais saudável
espiritualmente. Se eu ajudasse mais meus irmãos na minha igreja local,
talvez cresceríamos mais no conhecimento de Jesus (2 Pedro 3:18), talvez
aprendêssemos mais da Palavra de Deus, talvez mais incrédulos fossem
alcançados.
Se
realmente nos preocupássemos com o corpo de Cristo, não deixaríamos os
cristãos-missionários à míngua no campo missionário. Se realmente vivêssemos
na realidade do corpo de Cristo, nossas famílias seriam melhor assistidas,
órfãos e viúvas seriam melhor acolhidas. Minha palavra final é: deixemos a
preguiça de lado seguimos o exemplo das formigas, trabalhemos para o corpo e
não para membros individuais.
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