Saudade de Deus
Hoje eu acordei com
saudade de Deus.
Logo cedo, imediatamente depois de acordar, tentei entender esse sentimento.
Então percebi que não sabia muito bem o que realmente significava a palavra
saudade. A primeira atitude foi olhar no dicionário para saber se ele
me ajudaria. Dito e certo! Parte da minha angústia estava resolvida: agora
sei o que significa sentir saudade. Os eruditos que compilaram o dicionário
que tenho escreveram que saudade é um “sentimento mais ou menos
melancólico de incompletude, ligado pela memória a
situações de privação da
presença de alguém ou de algo, de afastamento de um lugar ou de uma coisa...
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autor
Marcos David Muhlpointner
Biólogo
pela Univ. Mackenzie e professor de Ciências e Biologia em colégios
particulares de São Paulo. Membro da Comunidade de Jesus - São Bernardo do
Campo, exercendo os ministérios de música e de pregação. Faz palestras sobre
bioética, ciência e fé e atualmente está preparando um livro sobre Bioética
à luz da Bíblia. |
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Hoje eu acordei com
saudade de Deus.
Logo
cedo, imediatamente depois de acordar, tentei entender esse sentimento.
Então percebi que não sabia muito bem o que realmente significava a palavra
saudade. A primeira atitude foi olhar no dicionário para saber se ele
me ajudaria. Dito e certo! Parte da minha angústia estava resolvida: agora
sei o que significa sentir saudade. Os eruditos que compilaram o dicionário
que tenho escreveram que saudade é um “sentimento mais ou menos
melancólico de incompletude, ligado pela memória a situações de privação da
presença de alguém ou de algo, de afastamento de um lugar ou de uma coisa,
ou à ausência de certas experiências e determinados prazeres já vividos e
considerados pela pessoa em causa como um bem desejável”. Agora tinha
que resolver outra questão: não quero conviver com essa melancolia.
Imediatamente depois de ler essa definição comecei a puxar da memória
algumas “situações de privação da presença de alguém...”. DAquele alguém de
quem estou sentindo saudades. Também pensei no “afastamento de um lugar...”.
Daquele lugar em que Ele está e eu devo estar junto. Senti saudade “...de
certas experiências e determinados prazeres já vividos e considerados pela
pessoa em causa como um bem desejável”. Experiências e prazeres que só a
presença dEle pode proporcionar. E, à medida que esses pensamentos foram se
apoderando da minha alma, fui levado a concluir, de modo incontestável, que
sou parecido com aquele animal descrito pelo salmista: “Como a corça
anseia por águas correntes, a minha alma anseia por ti, ó Deus.” (Salmo
42:1 – NVI).
O
salmista estava familiarizado com esse animal e devia conhecê-lo muito bem.
Provavelmente tinha ouvido seus gritos de ansiedade por água. Quem sabe
algumas vezes o próprio salmista ajudou algum animal desse a encontrar água.
E também, muito provavelmente, o salmista seguiu esse animal em busca de
água. O fato é que o salmista estava se sentindo como a corça (ou cervo). A
intensidade do sofrimento do salmista, a percepção da saudade de Deus era
tão grande que o salmista teve que buscar na natureza algo para se
expressar. O desejo do salmista era tão visceral, tão urgente, tão imediato
que só a cena de um animal agonizando de sede servia para externar sua
ânsia.
Será
que nos sentimos assim com freqüência? Será que nossos sentimentos por Deus
podem ser expressos da mesma forma? Temos consciência que precisamos de Deus
diariamente, assim como precisamos da água para nos manter vivos? Temos nos
alimentado de Deus diariamente? Ainda temos força para expressar nossa
necessidade de Deus? Do que temos nos alimentado?
O
salmista, nesse momento de saudade de Deus, afirma que tem se alimentado das
suas próprias lágrimas (v. 3). Ora, uma pessoa que perambula pelo deserto em
busca de água, jamais poderá se saciar com algumas lágrimas! Se a
necessidade dele foi comparada a “águas correntes”, como ele se manteria
vivo com suas próprias lágrimas? E o pior de tudo, as lágrimas são salgadas
e isso aumentaria ainda mais a sede!!!
A
comparação é perfeita. Um animal imponente, forte e garboso está sucumbindo
e gritando, pedindo correntes de água para matar a sua sede. O cervo,
acostumado a viver em regiões onde a água pode faltar, está num local que
ele esperava encontrar água, mas ela não está lá. O salmista olha para si,
percebe sua fragilidade, sabe que necessita de água em abundância. Depois de
passar dias se alimentando de suas próprias lágrimas e ainda sentindo sede,
vê suas esperanças morrerem. Ambos, homem e cervo, no último estertor de
vida, clamam por água, por muita água, correntes de água, água em
abundância.
Queridos, não nos basta um copo da presença de Deus diariamente. Não
conseguiremos viver longe da Sua presença. Não nos restará vida em nós
mesmos se formos negligentes na busca da comunhão com Ele. Se estivermos
longe da Sua fonte, nossa alma morrerá à míngua, sedenta, árida. Ele não
está longe, pelo contrário, está perto e nos incentiva a buscá-lO enquanto é
possível achá-lO (Isaías 55:6). Nossa necessidade não é pequena. Nossos
pecados nos afastam de Deus e por causa deles carecemos da Sua glória
(Romanos 3:23). Ou buscamos a Deus todos os dias, com toda diligência, com
amor e intenso desejo, ou morremos sem Ele eternamente.
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