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DIÁRIO DE BORDO
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José de Souza Barbosa Jr
Cristão, 35 anos, mora no RJ, músico e escritor, faz palestras, pregações e edita o site www.crerepensar.com.br

 

A Oração da Minha Vida (Eu e meus 35 anos)
Hoje (29/12/05) completo 35 anos. Não sei explicar, mas sempre considerei essa data significativa. Talvez por causa da Convenção Batista Brasileira encerrar a "juventude" ao 35 anos... hehe... se assim for, hoje começo a viver meu "último ano de jovem".
Brincadeiras à parte, pensei em escrever algo sobre minha vida até aqui, como um "retrospecto". Vasculhando meus textos, redescobri essa minha oração feita há muito tempo e percebi nela mais do que o simples restrospecto, mas um "introspecto"... essa continua sendo a oração de minha vida... a oração dos meus 35 anos... o meu Salmo 139


Ctrl+C / Ctrl+V - Quando crer é copiar
Hoje meu dia de trabalho foi cansativo. Daqueles que a gente fica torcendo que chegue logo o final do expediente, por não agüentar mais fazer a mesma coisa. Entre as muitas tarefas que tinha para fazer, uma me ocupou quase o dia todo... copiar dados de uma planilha para outra, uma por uma, no velho esquema ctrl C + ctrl V (copiar e colar).
Como não consigo fazer diferente, enquanto trabalhava... pensava; e enquanto pensava... via claramente na minha rotina o quadro de grande parte da igreja cristã no Brasil: copiar e colar... sem refletir.



Eu também tenho um sonho: eu ainda sonho com uma igreja...
Sonho, ainda, com uma igreja que celebre a ceia na esperança da volta do noivo, como uma mulher amada espera pelo seu amado ao anoitecer (1 Cor 11.26). Que haja alegria no partir do pão e no beber do vinho, pois não temos como participar da mesa que celebra a morte sem lembrarmos que a mesma morte foi vencida (Lc 24.5). Celebramos a ceia como um menino que relê um livro: já sabemos o final da história. E se ele venceu a morte, como tinha prometido (Mt 20.19) é certo que voltará um dia para nos buscar, como prometeu (Jo 14.3). Maranata, vem Senhor Jesus!
 
Os santos também sujam os pés pelo caminho
Mesmo aqueles que tem seus pés firmes na rocha, que caminham naquele que é o Caminho, podem por muitas vezes sujar os pés. O que mais me fascina em Jesus é sua total compreensão da humanidade e sua não-religiosidade. Jesus hoje seria, com certeza, confundido com o AntiCristo por alguns líderes da “religião cristã”, pois seu modo de agir, suas palavras e sua maneira de encarar as coisas difere muito da chamada “moral evangélica”.
 
Os três porquinhos e a teologia da prosperidade
Suinolândia era uma cidade pacata. Apesar do fato da maioria esmagadora dos habitantes da cidade serem porcos, era uma cidade limpa, tranqüila, que nos últimos tempos andava em polvorosa. Era que se achava por aquelas bandas o terrível Lobo Mau, personagem conhecido das lendas de muitos povos, mas nunca antes visto por aqueles ingênuos porquinhos.
A cidade ultimamente andava meio estranha mesmo. O novo Prefeito, Sr. Je-suíno, evangélico que era...
 

Panis et Circenses... et Cultus...
Vivemos a era dos mega-eventos, shows, cultos lotados de pessoas vazias, não vazias de fé (é bom deixar isso bem claro), mas vazias de conteúdo, o que me faz lembrar do texto sagrado, quando Paulo afirma: “Porque lhes dou testemunho de que eles têm zelo por Deus, porém não com entendimento” . Note bem, não estou querendo julgar a intenção. Essas pessoas tem zelo, são sinceras, fiéis, crentes mesmo, salvas, mas sem entendimento. Vão atrás das emoções, sentimentos. É bom deixar bem claro também que não sou contra as atitudes emotivas, as experiências extáticas, gosto de um louvor alegre, de erguer minhas mãos em adoração, fechar os olhos, adorar em espírito e em verdade, mas não posso fazer de minha experiência a regra, pois o problema maior está aí: a experiência como regra.

Quando Deus diz: "Dá licença?"
Creio firmemente que em certos momentos Deus intervém e diz: “Dá licença? Daqui em diante EU cuido disso!” E Ele faz isso porque muitas vezes nós somos reticentes em entregar-lhe totalmente o comando de nossas vidas. No fundo (por mais que nossas palavras e nossos cânticos digam outra coisa) achamos que NÓS sabemos melhor do que Deus o que realmente precisamos. Atropelamos a vontade de Deus. O resultado é sempre o mesmo: tragédia!

Quem não é achado pela graça... acaba caçando Deus!
A iniciativa da caça é dele! E não é uma caça para exterminar o objeto caçado. Somos alvo do AMOR de Deus. Essa caça é que nos traz vida! Somos caçados para a vida, e não para a morte. A salvação foi, é, e sempre será iniciativa de Deus. A cruz ressoa desde a eternidade... sobre a manjedoura de Belém já pairava a sombra de uma cruz, a cruz preparada desde a eternidade e sobre ela o cordeiro imolado por nós desde a fundação do mundo. Isso é graça! Eu não mereço...

Restitui... eu quero de volta o que é meu!
Havia um homem, na terra de Uz, chamado Jó. Homem fiel e temente a Deus, íntegro em todos os seus caminhos...
Um belo dia (belo pra quem conta a história, nunca pra quem a vive), Jó recebe uma notícia, uma não... várias... ele perdera tudo, todos os seus bens e o pior, todos os seus filhos. Amargurado, triste, arrasado (imaginem um pai perder num só dia seus dez filhos), impregnado pela dureza que a vida lhe impusera naquele momento, Jó ergue-se do chão, levanta a voz e canta ao Senhor:

" - Restitui... eu quero de volta o que é meu!!"

Você e eu sabemos que não foi isso o que aconteceu, mas é sobre isso que eu quero falar...


Scooby-doo, a igreja e o baú dos olhos
Assisti há algum tempo ao Scooby-doo, o Filme (o primeiro).
A história (?) do filme se passa em uma ilha, onde adolescentes e jovens estavam tendo suas "almas" roubadas e depositadas em um grande caldeirão, onde depois de uma mistura mágica seriam todas (as almas) encerradas em um único ser, que passaria a ser o grande controlador daqueles jovens.
Os jovens e adolescentes que "perdiam" suas almas andavam pela ilha como robôs, sem vontade própria, fazendo a vontade daquele que mantinha suas almas presas no caldeirão.
Seria uma bela alusão ao diabo, não ? Mas eu acho que tem mais a ver com a igreja de hoje... infelizmente.

Toque o berrante, seu moço!
O shophar nada mais é que um berrante, feito com chifres de carneiros, instrumento muito utilizado pelos judeus e por isso mesmo (como tinha de acontecer, é claro!), revivido em nossos dias pelos levitas, cantores-líderes-de-louvor-ministradores que grassam em nosso meio, continuando a fazer estragos na simplicidade do evangelho de Cristo.
Qual o problema de se tocar um instrumento judaico em nossos cultos? Nenhum. Desde que seja apenas mais um instrumento, que sirva para harmonizar ou então enriquecer a música que se canta em apresentação ao nosso Grande Deus.
É aqui que surge o problema. O shophar não é apenas um instrumento, ele é O instrumento.


Uma geração turbinada
Até mulher hoje já não reclama tanto de suas “infelicidades” corporais. Seios pequenos?? Turbina neles!! Bum-bum “murcho”, a gente ajeita! E saem todas felizes... Sentindo-se Danielles Winnittz e Sheilas Mellos, prontas para serem alvos das mais variadas cantadas, que elas mesmas rejeitam, mas gostam de ouvir. Hoje já não sabemos quais são as originais... Bom para as mulheres? Talvez! Exemplo para as igrejas? Nem tanto... Vivemos na geração turbinada!

Um sorvete para matar a fome
Pensei em como a Palavra, verdadeiro alimento que realmente sacia a fome (nem só de pão viverá o homem, mas de toda Palavra...), tem sido trocada por meros “sorvetes” espirituais. Engraçado é que sorvetes geralmente são a sobremesa preferida das crianças. É difícil conhecer uma criança que não goste de se lambuzar de sorvete, e mais, elas são capazes de trocar pratos saborosos e nutritivos por uma pequena taça dessa guloseima doce e gelada. Lembrei-me de Paulo dizendo aos Coríntios que gostaria de lhes dar alimento sólido...

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