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... e então vinha o homem, ao entardecer, na
viração do dia, remexendo entre arbustos e galhos de árvores maiores, quando
de repente sua presa deu-se por vencida. “- Te peguei, Deus! ... que
coisa feia... fugindo de mim?”
Sei que todos nós sabemos
que não foi assim, mas é a cena que vem a minha mente quando ouço falar no
termo “caçador” de Deus. Um Deus acuado, sem ter pra onde correr senão para
os braços daquele que lhe “acolherá”. Papéis invertidos? Lógico! Palavra
deturpada? Sem dúvida alguma...
O homem sempre esteve em
busca de Deus, sempre “caçou” Deus... e todas as tentativas dessa
perseguição do elemento divino terminaram inexoravelmente em RELIGIÃO. A
religião é isso: o homem em busca de Deus, uma busca desesperada, pelos seus
próprios esforços, sacrifícios, na tentativa de prender esse mesmo Deus ao
seu sistema de ritos, doutrinas e convenções humanas.
A religião é, portanto,
inerente ao ser humano. O vazio existencial, o buraco negro da alma em busca
de algo que o possa preencher, tudo isso clama pela religiosidade. E ela
então chega, como se fosse a salvação para o homem. O homem então se entrega
na sua busca de Deus, fazendo dele a caça, o alvo a ser alcançado,
atingido... para depois de preso, estar sujeito aos seus caprichos e
deleites.
Ordens dadas a Deus,
decretos em que Deus nada mais é do que um serviçal, orações que comandam o
braço de Deus, palavras mágicas que “liberam” o poder de Deus, isso tudo
fica bem na boca dos bruxos e magos da religião, tenham eles os títulos de
bruxos, mestres, pastores, bispos ou apóstolos. Bruxaria sempre será
bruxaria venha de onde vier, principalmente dos mandatários da religião.
A bruxaria evangélica não
é diferente. Parte da presunção de alguns em, com palavras mágicas
(abracadabras evangélicos) manipularem o braço de Deus. Deus então, segundo
essa “tiologia”, se vê obrigado a fazer o que os seus “profetas” ordenam.
Deus está preso!
Deus está enclausurado!
Deus foi caçado!
Deus está morto!
Nietzsche parece ter
razão. Deus está morto! Nós o matamos!
Porém, há algo novo,
sempre novo. Chama-se Evangelho. E evangelho é algo totalmente diferente de
religião. Religião escraviza, evangelho é boa-nova de libertação... é boa!!
E é nova!!! Sempre nova... sempre renovando!
O evangelho acontece ao
contrário, na contra-mão da religião. Na viração da tarde, na ausência de
cor para a continuação do dia é Deus quem toma a iniciativa. “Adão... onde
estás?”. Isso é evangelho, isso é graça!!
O homem pecou... Adão
pecou... eu pequei em Adão... mas Deus.... Mas Deus... mas... e esse “mas”
faz toda a diferença. Esse “mas” é a diferença entre a religião e o
evangelho da graça. Estávamos mortos em nossos delitos e pecados, MAS
DEUS... e isso muda a história.
A iniciativa da caça é
dele! E não é uma caça para exterminar o objeto caçado. Somos alvo do AMOR
de Deus. Essa caça é que nos traz vida! Somos caçados para a vida, e não
para a morte. A salvação foi, é, e sempre será iniciativa de Deus. A cruz
ressoa desde a eternidade... sobre a manjedoura de Belém já pairava a sombra
de uma cruz, a cruz preparada desde a eternidade e sobre ela o cordeiro
imolado por nós desde a fundação do mundo.
Isso é graça! Eu não
mereço... eu não busco, eu não caço Deus. Ele me ama... me busca... me
encontra.... me abre os braços... eu só descanso nEle... e a obra é ELE quem
faz e continua fazendo até o dia dEle mesmo.
Fui seduzido... deixei-me
seduzir!
Fui preso na sua graça!
Fui enclausurado em sua
liberdade, não tenho como deixar de ser livre!
Fui caçado na viração do
dia... não sei o que é a noite sem Ele.
Morri!
Ele vive em mim!
Deus está vivo!
A Bíblia tem sempre razão!
O meu redentor vive... e por fim se levantará sobre a Terra.
Pra que religião se tenho
o evangelho da graça?
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