Ele chegou!
Veio de uma terra distante, nove meses
esperamos, mas há tempo ele vem vindo!
Trouxe consigo um país...
Banhado em vida ele chega, o choro inaugura
seu som e rompe o silêncio da sala.
Veio um anjo e nada mais disse do que amém!
(Anjo bom não tem frustrações para lançar sobre nós expectativas, e além do
mais não é veloz o bastante para saber do futuro. O futuro não aconteceu).
O guri não tinha destino traçado, estava
predestinado a escrever sua história: virgem a estrada, vai ser penetrada
por ele; branca a folha, ele será o rabisco.
Os pais suspiram e lhes chamam lindo,
conferindo a quem “puxou”.
Os amigos bendizem: “Que ele cresça com
saúde!”; “Deus abençoe os seus dias!”; “Que ele seja muito amado!”.
O Criador se orgulha: “muito bom!” (Ele sabe
a quem puxou o bebê!) e lhe dá três presentes: a pena da liberdade, a
eternidade no coração e o perfume da esperança. “Que as opções não lhes
sejam furtadas e que, livre, ele possa escolher; que a saudade de seu País
seja o mapa da Volta!”.
Espera o pequeno a vida vestida de
imprevisível e adornada de dinâmica: conquistas, angústia de rins,
encontros, a sombra da morte, prazeres, a dor da perda, o reconhecimento, a
ingratidão, tudo a que tem direito um humano...
- Mas seja corajoso, irmão! Vai que o medo
vai ter medo de lhe acompanhar!
Estrada afora vão com o peregrino o
Altaneiro que se acocora para conversar, o Pão molhado em vinho servido na
boca, o beijo leve nos olhos da brisa do Espírito e os três presentes – o
suficiente para o estrangeiro guardar sua fé até voltar para o lar e o Reino
em festa gritar: “Ele chegou!”.
Desta marcha completei vinte e nove, faltam
mais alguns!
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