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“Mantenha viva a chama que há em ti...”
Lá estava eu, de joelhos dobrados, no meio
daquela sala. Poucos minutos depois de experimentar o que palavras não podem
explicar, de ver aquilo que o mundo não pode revelar. Já havia composto
outras músicas, e gostava de me aventurar em novas melodias, mas naquela
noite tudo era diferente, a melodia era especial. Não vinha de mim, não era
fruto do que eu poderia fazer, mas vinha de longe, de tempos distantes.
Não havia como resistir, era maior que tudo
que eu já havia visto ou experimentado. Como descrever o que a música dizia?
Esperança, luta, sofrimento, paixão... palavras humanas insuficientes ante a
grandeza daquela mensagem. Ela foi se revelando, a cada nota, a cada tom, em
cada compasso.
E, então, como uma estrela cai do
firmamento, ou como um raio atinge seu alvo, me encontrei de joelhos
dobrados. Agora, então, pairava o silêncio, a quietude, a brisa suave que
somente a presença de Deus poderia trazer. E, ali, de joelhos, enquanto o
fogo consumia meu coração, numa chama viva que ardia dentro de mim, eu pude
enxergar a Cruz.
Todos nós temos histórias para contar e
lembrar sobre nosso “chamado”. Tenho conversado com alguns procurando
compreender a realidade deste chamado. Descobri que para uns foi algo
sobrenatural como “fogo” que cai do céu, para outros, foi algo simples, uma
questão de obediência a algo já revelado. Não creio ser possível limitar o
chamado a um mero “pacotinho”. Deus sendo tão soberano e tão criativo, bem
pode agir de seu modo particular. Porém, gostaria de dizer que em todos
estes casos em que houve o reconhecimento do chamado estava presente um
elemento: a “chama”.
Em um ano olímpico é propício falar sobre a
“chama”. A pira olímpica, que nunca se apaga, carrega por boa parte dos
países do mundo a chama do espírito olímpico. Milhares de atletas irão se
dirigir neste ano a Atenas, movidos por esta chama.
Não quero dar uma de Camões, mas acredito na
chama que arde em nossos corações. Ela não é carregada em uma pira, mas está
presente em boa parte dos países do mundo. Ela não é motivo de muita
atenção, mas move milhares de atletas até seu objetivo todos os anos. Ela
não segue os padrões olímpicos, mas homem algum a pode apagar. Sua fama não
vem de Atenas, mas é conhecida por sua história no monte do Calvário. O
mundo a chama de loucura, nós a chamamos de missões.
Missões é a essência do nosso chamado. É a
chama que arde sem se ver. Seja você pastor, missionário, educador ou
qualquer outra coisa, a essência do seu chamado é missionária. Não há como
fugir disso, não há porque lutar, missões é o motivo pelo qual nós fomos
escolhidos.
Lembro-me que quando reconheci meu chamado,
logo após compor aquela música, fui tomado pelo espírito missionário de tal
maneira que eu poderia incendiar o mundo com a chama que ardia dentro de
mim. Isto é missões! E esta é nossa visão: incendiar o mundo com o evangelho
de Cristo!
Que neste ano olímpico eu e você sejamos
levados a valorizar missões. E que lá, diante da cruz, no monte do calvário,
de joelhos dobrados, com os corações tomados pelo fogo, pela chama
missionária, reconheçamos a essência de nosso chamado.
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