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Poucos dias atrás, começou a 26ª BIENAL em São
Paulo. Calcula-se mais de um milhão de pessoas presentes neste evento que é
um dos pontos mais altos do mercado artístico brasileiro. Fico impressionado
ao reconhecer a movimentação e a valorização que a arte tem experimentado em
nossos dias. Recentemente li a respeito de uma obra de Picasso que se tornou
a tela mais cara da história, cerca de 100 milhões de dólares. Suponho que
toda esta movimentação, toda esta valorização deva-se a fato do papel que a
arte tem desempenhado na vida do homem e do mundo.
Quem nunca ficou
emocionado diante de um grande filme? Quem nunca foi tocado pelo sentimento
de uma linda música? Quem nunca divagou em idéias ao contemplar um belo
quadro?
Sem dúvida, a arte evoca
emoções, sentimentos, idéias no coração e na mente de todos nós.
Mas, afinal, o que é a
arte? Qual seu significado e por que evoca tais emoções e sentimentos?
Em uma rápida pesquisa é
possível perceber uma infindável quantidade de definições e conceitos que o
mundo traz na tentativa de revelar a verdade sobre a arte. Cada qual
diferente da outra. Muito trabalho feito no intuito de revelar a sua
essência.
Não é à toa que todo
esforço é vão. Creio ser impossível compreender a arte em sua essência pelo
prisma humano. A arte é, na minha concepção, essencialmente sobrenatural.
Por isso, para compreendê-la é necessário mais. É necessário viajar ao
passado, a lugares distantes, ao princípio de tudo, às origens, à criação.
Em Gênesis 2.7,
encontramos aquela que penso ser a primeira manifestação artística no mundo:
“formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego de vida”. O
verbo “formou” no original hebraico traz a idéia de um oleiro que dá forma
ao barro. Um artista que transforma a matéria sem forma na maior de todas as
obras primas do mundo: o homem.
A arte é a manifestação da
vida. A grandeza da verdadeira arte, consiste, portanto, em captar, fixar,
revelar-nos a realidade dessa vida. A vida longe da qual o homem vive. A
vida da qual o homem se afasta cada vez mais à medida que aumenta a
espessura e a impermeabilidade das noções mundanas e convencionais de sua
mente caída.
Essa realidade que todos
nós corríamos o risco de morrer sem conhecer, que é apenas a nossa vida. A
vida que os homens não vêem porque não podem enxergar. A vida sobrenatural
criada sobre o barro.
Mas quem é este oleiro?
Quem é este grande artista?
O Mestre da arte. O autor
da vida.
O mesmo artista que ao
perceber a mancha da morte em sua criação, a escuridão do pecado apagando o
brilho de sua pintura, entrega sua própria vida, para com a tinta vermelha
de seu sangue derramado sobre a cruz, operar a obra da nova vida, a obra da
redenção.
Efésios 2.10 diz que somos
“criação de Deus realizada em Cristo Jesus”. No original grego encontramos a
palavra “poiema” de onde nos deriva a palavra “poema”.
Nós cristãos somos poema
de Deus realizado em Cristo Jesus. Somos a mais perfeita arte. Temos a
imagem do próprio Mestre revelada em nossas vidas. Por isso, hoje, tudo que
somos e fazemos pertencem a ele, ao mestre que nos amou e se entregou por
nós.
Que, a cada dia de nossas
vidas, deixemos que este mestre imprima e revele em nós a mais perfeita
imagem de seu filho, Cristo Jesus. E, que assim, tudo que somos, temos e
fazemos sejam eternamente para o seu louvor.
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