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“Pai me ajuda!” Enquanto a
correnteza me carregava, foram as únicas palavras que eu pude pronunciar. Eu
era pequeno ainda, muito fraco para suportar tamanha força daquelas águas.
Como toda criança, sempre me metendo em problemas. Meu conforto era saber
que se precisasse de ajuda, ali estava a mão de meu pai, pronta para me
socorrer.
Gosto
de escrever sobre aquilo que tenho vivido, que tenho respirado. Nesses
últimos dias, hoje especialmente, após uma daquelas sessões de
aconselhamento, fui atacado pela síndrome de pânico na criação de filhos.
Não sou pai, mas tive e tenho um, e sei que logo chegará minha hora de
desempenhar essa que é uma das maiores e mais antigas tarefas que o mundo já
conheceu: ser pai.
A
pergunta é sempre a mesma: “o que podemos fazer?” Foi, também, a desesperada
dúvida daquele casal, triste e desanimado. Talvez apenas mais um da
infindável lista de pais preocupados com os filhos. Nunca vi algo assim. É
alarmante. Pais aturdidos e perplexos com a situação caótica de seus filhos,
em todos os lugares.
Sem
dúvida, vivemos dias diferentes do passado, porém, mesmo que os dias tenham
mudado, os problemas continuam sendo os mesmos. Se ser pai é a tarefa mais
antiga da história, então, criação de filhos é o mais antigo problema. Neste
sentido, a nossa primeira pergunta então deveria ser “qual é o problema?”.
Bom,
para muitos a resposta é fácil, acusando logo a televisão e os meios de
mídia que exercem uma influência terrível. Alguns malucos chegam a dizer: “É
a Disney!” Para outros, são aqueles amigos que vivem carregando o filho para
o mal.
Caim
discorda. Antes que houvesse televisão, “Rei Leão” ou amigos, ele já era um
assassino. Naturalmente, o primeiro filho que o mundo conheceu. Não lhe
chama atenção este caso? O primeiro filho já ter sido um grande problema?
Deus
logo responde essa difícil pergunta. Gn 4.6: “Disse o Senhor a Caim...
saiba que o pecado o ameaça à porta; ele deseja conquistá-lo, mas você deve
dominá-lo”. Caim não conseguiu. Não suportou tamanha força daquele
desejo pecaminoso. Provavelmente, não havia aprendido a dominar o pecado,
exatamente como seu pai, o primeiro homem a pecar, Adão.
Meus
pais sempre diziam: “fique longe daquele lugar, é perigoso!”. Eles sabiam
que eu não era capaz, ainda, de enfrentar o repuxo da maré. Mas havia algo
que me atraia para aquele lugar. Eu queria saber como era, conhecer aquelas
águas. Não podia ser diferente o resultado. Se meu pai não estivesse pronto
para me socorrer eu teria me afogado. Nunca mais voltei lá, até que
estivesse preparado. Logo meus pais me colocaram em uma escola de natação,
me tornei um nadador, entrei para a equipe e comecei a competir. Hoje, sei
exatamente como desviar da corrente e enfrentar a maré.
Talvez
você esteja se perguntando, mas será que Adão não preparou a Caim? Será que
não levou ele a igreja? Não lhe deu uma Bíblia? Não orou antes de cada
refeição?
Creio
que Adão educou seus filhos. Falou a respeito de Deus e de sua experiência
com o pecado. Ensinou-lhes a respeito de sacrifícios e de como agradar
aquele Deus, porém, caim não resistiu ao pecado. Não sei se houve falhas
neste processo de ensino, mas Caim não foi diferente de seu pai, pecou como
ele.
O
ensino é a maior responsabilidade de um pai. Na Bíblia, o conceito de ensino
está ligado à família, ao lar. Lembro de como meu pai dedicou tempo para me
ensinar a respeito das coisas de Deus. Encontrei nele o exemplo de cada
verdade aprendida. Ele me preparou para enfrentar o pecado e sua influência
dentro do mundo. Isso envolveu partes difíceis como disciplina e
“repreensão” (como dizem os psicólogos). Proibiu-me de freqüentar
determinados lugares onde eu gostaria de ir e ensinou a importância da
igreja na vida de um cristão. Como era chato isso. Como chorei. Queria ir a
festas, queria sair com meus amigos, mas graças a Deus meu pai nunca me
deixou ir. Isso me manteve longe do pecado. Diminui as situações de risco na
minha vida.
O homem
mais sábio deste mundo, pai de família, disse: “Ensina a criança no
caminho em que deve andar, e ainda quando for velha não se desviará dele”
(Pv 22.6). Mesmo Salomão encontrou dificuldades no ensino de seus filhos.
Porém, esta é uma verdade. A Bíblia não está dizendo apenas: fale para seu
filho, dê uma Bíblia para ele, leve-o para a igreja, mas, sim, mostre o
caminho, ande e carregue ele junto com você, ensine como enfrentar os
problemas, viva todas essas verdades e seja um exemplo para ele!
Sei que
alguns pais vão a igreja apenas para criar seus filhos, querem que eles
aprendam a ficar longe dos problemas, que ouçam a respeito das “coisas de
Deus”. Isto é triste. Quando pergunto para alguns “seu pai já conhece a
Cristo?” Eles respondem: “não sei”. Pior que o mundo, só a cabeça destes
pais. Por isso me preocupo, ao ver que alguns filhos percebem na vida de
seus pais a falta de Jesus.
Seu
filho precisa de você! Ele está clamando por ajuda. Ele está sendo carregado
pela maré e ainda não é capaz de resistir. Você precisa lhe estender a mão.
Precisa lhe ensinar que há lugares que são perigosos. Precisa torná-lo forte
para resistir à pressão, e enquanto não estiver pronto, mante-lo afastado
daquelas águas.
Se você
pertence a essa lista de pais desesperados, então ore, busque ajuda de Deus.
Sente-se com seu filho, converse com ele. Mostre o quanto lhe ama e como
quer lhe ajudar. Ensine-o a vencer o pecado, mostre os “buracos” escondidos.
Você é pai, esta tarefa é sua e de mais ninguém. Viva a verdade de Jesus
Cristo para que esta verdade transforme a vida de seu filho.
Dizem
que na infância os pais são como heróis. Eu cresci, mas acho que ainda estou
na infância, porque meus pais continuam sendo meus heróis. Espero que um dia
seu filho possa dizer o mesmo de você.
“Pai me
ajuda!” Ouça este grito de socorro, antes que seja tarde demais.
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