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Pai, me ajuda!
Sei que alguns pais vão a igreja apenas para criar seus filhos, querem que eles aprendam a ficar longe dos problemas, que ouçam a respeito das “coisas de Deus”. Isto é triste. Quando pergunto para alguns “seu pai já conhece a Cristo?” Eles respondem: “não sei”. Pior que o mundo, só a cabeça destes pais. Por isso me preocupo, ao ver que alguns filhos percebem na vida de seus pais a falta de Jesus

autor
Tiago Mattes
Jovem, original do RS, aluno no Seminário Bíblico Palavra da Vida, tem desenvolvido seu ministério junto a jovens, adolescentes e pre-adolescentes.


“Pai me ajuda!” Enquanto a correnteza me carregava, foram as únicas palavras que eu pude pronunciar. Eu era pequeno ainda, muito fraco para suportar tamanha força daquelas águas. Como toda criança, sempre me metendo em problemas. Meu conforto era saber que se precisasse de ajuda, ali estava a mão de meu pai, pronta para me socorrer.

Gosto de escrever sobre aquilo que tenho vivido, que tenho respirado. Nesses últimos dias, hoje especialmente, após uma daquelas sessões de aconselhamento, fui atacado pela síndrome de pânico na criação de filhos. Não sou pai, mas tive e tenho um, e sei que logo chegará minha hora de desempenhar essa que é uma das maiores e mais antigas tarefas que o mundo já conheceu: ser pai.

A pergunta é sempre a mesma: “o que podemos fazer?” Foi, também, a desesperada dúvida daquele casal, triste e desanimado. Talvez apenas mais um da infindável lista de pais preocupados com os filhos. Nunca vi algo assim. É alarmante. Pais aturdidos e perplexos com a situação caótica de seus filhos, em todos os lugares.

Sem dúvida, vivemos dias diferentes do passado, porém, mesmo que os dias tenham mudado, os problemas continuam sendo os mesmos. Se ser pai é a tarefa mais antiga da história, então, criação de filhos é o mais antigo problema. Neste sentido, a nossa primeira pergunta então deveria ser “qual é o problema?”.

Bom, para muitos a resposta é fácil, acusando logo a televisão e os meios de mídia que exercem uma influência terrível. Alguns malucos chegam a dizer: “É a Disney!” Para outros, são aqueles amigos que vivem carregando o filho para o mal.

Caim discorda. Antes que houvesse televisão, “Rei Leão” ou amigos, ele já era um assassino. Naturalmente, o primeiro filho que o mundo conheceu. Não lhe chama atenção este caso? O primeiro filho já ter sido um grande problema?

Deus logo responde essa difícil pergunta. Gn 4.6: “Disse o Senhor a Caim... saiba que o pecado o ameaça à porta; ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo”. Caim não conseguiu. Não suportou tamanha força daquele desejo pecaminoso. Provavelmente, não havia aprendido a dominar o pecado, exatamente como seu pai, o primeiro homem a pecar, Adão.

Meus pais sempre diziam: “fique longe daquele lugar, é perigoso!”. Eles sabiam que eu não era capaz, ainda, de enfrentar o repuxo da maré. Mas havia algo que me atraia para aquele lugar. Eu queria saber como era, conhecer aquelas águas. Não podia ser diferente o resultado. Se meu pai não estivesse pronto para me socorrer eu teria me afogado. Nunca mais voltei lá, até que estivesse preparado. Logo meus pais me colocaram em uma escola de natação, me tornei um nadador, entrei para a equipe e comecei a competir. Hoje, sei exatamente como desviar da corrente e enfrentar a maré.

Talvez você esteja se perguntando, mas será que Adão não preparou a Caim? Será que não levou ele a igreja? Não lhe deu uma Bíblia? Não orou antes de cada refeição?

Creio que Adão educou seus filhos. Falou a respeito de Deus e de sua experiência com o pecado. Ensinou-lhes a respeito de sacrifícios e de como agradar aquele Deus, porém, caim não resistiu ao pecado. Não sei se houve falhas neste processo de ensino, mas Caim não foi diferente de seu pai, pecou como ele.

O ensino é a maior responsabilidade de um pai. Na Bíblia, o conceito de ensino está ligado à família, ao lar. Lembro de como meu pai dedicou tempo para me ensinar a respeito das coisas de Deus. Encontrei nele o exemplo de cada verdade aprendida. Ele me preparou para enfrentar o pecado e sua influência dentro do mundo. Isso envolveu partes difíceis como disciplina e “repreensão” (como dizem os psicólogos). Proibiu-me de freqüentar determinados lugares onde eu gostaria de ir e ensinou a importância da igreja na vida de um cristão. Como era chato isso. Como chorei. Queria ir a festas, queria sair com meus amigos, mas graças a Deus meu pai nunca me deixou ir. Isso me manteve longe do pecado. Diminui as situações de risco na minha vida.

O homem mais sábio deste mundo, pai de família, disse: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velha não se desviará dele” (Pv 22.6). Mesmo Salomão encontrou dificuldades no ensino de seus filhos. Porém, esta é uma verdade. A Bíblia não está dizendo apenas: fale para seu filho, dê uma Bíblia para ele, leve-o para a igreja, mas, sim, mostre o caminho, ande e carregue ele junto com você, ensine como enfrentar os problemas, viva todas essas verdades e seja um exemplo para ele!

Sei que alguns pais vão a igreja apenas para criar seus filhos, querem que eles aprendam a ficar longe dos problemas, que ouçam a respeito das “coisas de Deus”. Isto é triste. Quando pergunto para alguns “seu pai já conhece a Cristo?” Eles respondem: “não sei”. Pior que o mundo, só a cabeça destes pais. Por isso me preocupo, ao ver que alguns filhos percebem na vida de seus pais a falta de Jesus.

Seu filho precisa de você! Ele está clamando por ajuda. Ele está sendo carregado pela maré e ainda não é capaz de resistir. Você precisa lhe estender a mão. Precisa lhe ensinar que há lugares que são perigosos. Precisa torná-lo forte para resistir à pressão, e enquanto não estiver pronto, mante-lo afastado daquelas águas.

Se você pertence a essa lista de pais desesperados, então ore, busque ajuda de Deus. Sente-se com seu filho, converse com ele. Mostre o quanto lhe ama e como quer lhe ajudar. Ensine-o a vencer o pecado, mostre os “buracos” escondidos. Você é pai, esta tarefa é sua e de mais ninguém. Viva a verdade de Jesus Cristo para que esta verdade transforme a vida de seu filho.

Dizem que na infância os pais são como heróis. Eu cresci, mas acho que ainda estou na infância, porque meus pais continuam sendo meus heróis. Espero que um dia seu filho possa dizer o mesmo de você.

“Pai me ajuda!” Ouça este grito de socorro, antes que seja tarde demais.

 

   
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